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A Casa do Caxingui mostra uma São Paulo rural no meio da Zona Oeste

Casa do Sertanista. Imagem de arquivo, 2014. Foto: Dornicke, via Wikimedia Commons. CC BY-SA 4.0. Arquivo redimensionado pelo repositório; sem outras alterações neste pacote.

Uma casa térrea, um telhado de quatro águas e paredes que não foram feitas de tijolos. Na Praça Ênio Barbato, a Casa do Caxingui cria um contraste com o bairro ao redor. Muita gente também conhece o imóvel pelo nome de Casa do Sertanista.

A construção é associada ao século XVII a partir de estudos de arquitetura. Sua origem, porém, tem lacunas. Algumas atribuições sobre antigos moradores são hipóteses, e não uma biografia completamente documentada. Vale guardar essa diferença ao ouvir histórias sobre o lugar.

Mais de uma história dentro da mesma casa

A taipa de pilão e a organização dos ambientes ajudam a reconhecer características de casas rurais paulistas. O nome tradicional “bandeirista” aparece na classificação desse patrimônio, mas não resume tudo o que aconteceu ali. O edifício continuou recebendo outros sentidos ao longo do tempo.

Depois de ser doado à cidade, o imóvel passou por restauração e abrigou atividades museológicas. Em diferentes momentos, recebeu coleções indígenas, uma experiência ligada à União das Nações Indígenas e um museu de folclore. Essa trajetória mostra como um mesmo espaço pode ser reinterpretado por diferentes projetos culturais.

Um nome não resume todos os moradores

A denominação Casa do Sertanista ficou associada ao museu instalado depois do restauro concluído em 1970. Já Casa do Caxingui situa o imóvel pelo lugar onde está. A diferença entre os nomes ajuda a perceber que a história de uma construção e a maneira de apresentá-la ao público não são necessariamente a mesma coisa.

Nos registros reunidos pelo Museu da Cidade aparecem passagens pelas famílias Beu e Penteado e pela Companhia City, responsável pela doação ao município em 1958. Esses vínculos aproximam a casa rural do processo de transformação da Zona Oeste. Não se trata de uma construção que atravessou séculos sem mudar de proprietário, contexto ou finalidade.

Uma casa colonial recebendo outras vozes

A instalação da Embaixada dos Povos da Floresta, em 1989, é uma das mudanças mais expressivas nessa trajetória. Um edifício associado à expansão colonial passou a acolher a atuação de uma organização indígena. É uma relação que merece atenção própria e impede que o passeio seja reduzido à celebração de uma arquitetura antiga.

Na leitura do espaço, procure separar três coisas: a técnica construtiva, as pessoas ligadas à propriedade e os projetos culturais que a ocuparam. Uma parede pode permanecer enquanto o sentido atribuído à casa se transforma completamente. Esse olhar ajuda a perceber o patrimônio como parte das discussões da cidade, com escolhas sobre quais histórias recebem espaço e quais precisam ser recuperadas.

Na visita, o convite é observar a construção sem separar a arquitetura das escolhas sobre o que preservar e expor. Espessura das paredes, cobertura e distribuição dos cômodos ajudam a começar. O passeio fica mais interessante quando a casa deixa de ser apenas uma imagem do passado e passa a ser vista como um patrimônio em uso.

Para conhecer

A Casa do Caxingui integra o Museu da Cidade de São Paulo e fica na Praça Ênio Barbato, s/n, no Caxingui.

Antes de sair, confira as condições de visita e a programação no site oficial.

Fontes e informações

Informações e referência

Casa do Sertanista. Imagem de arquivo, 2014. Foto: Dornicke, via Wikimedia Commons. CC BY-SA 4.0. Arquivo redimensionado pelo repositório; sem outras alterações neste pacote.

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Redação SP City
Um projeto que tem a cara de São Paulo :)
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