RAPIDINHAS

Doces e Batalhadoras Mulheres

Escrever sobre a história das mulheres ou sobre o que é ser mulher não é tarefa fácil. Escrever uma história que por tanto tempo foi ignorada ou tentar espremer todos os adjetivos cabíveis em apenas algumas linhas chega a ser impossível, mas, como a maioria das mulheres, eu adoro um desafio.

Desde o século XIX organizações femininas protestavam contra as longas jornadas, salários medíocres e péssimas condições de trabalho, práticas estas introduzidas pela Revolução Industrial. Movimentos historicamente relevantes se espalharam na Europa e nos Estados Unidos e no início do século XX começou a se falar em um dia internacional das mulheres.

Em 1908, cerca de 1500 mulheres marcharam em Nova Iorque em prol da igualdade econômica e política no país, no ano seguinte as mulheres marcharam novamente e, em uma longa greve têxtil, fecharam quase 500 fábricas americanas.

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Com a Primeira Guerra Mundial mais protestos surgiram em todo o mundo e, em março de 1917, operárias russas se mobilizaram contra fome, contra o czar Nicolau II e contra a participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial. Mais de 90 mil pessoas marcharam exigindo “Pão e Paz”, o que antecipou o início da Revolução Russa.

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Nos países ocidentais, o dia internacional da mulher foi comemorado até cerca de 1920, esquecido por algum tempo e recuperado pelo movimento feminista dos anos 60, que defendia a liberação feminina, lutando pela igualdade legal e social para as mulheres.

No Brasil, São Paulo foi o palco de um movimento importantíssimo para os trabalhadores: o das costureiras, realizado em 1907, ponto inicial para limitação da jornada de 8 horas. A cidade também recebeu a primeira partida de futebol feminino, em 1921.

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Primeiro Time de Futebol Feminino do Brasil – 1959

Finalmente em 1977 as Nações Unidas proclamaram o dia 8 de março como o “Dia Internacional da Mulher”, data que remete às lutas e conquistas femininas, bem como a sua importância e contribuição na sociedade.

Já em 1985 foi criada a primeira Delegacia de Atendimento à Mulher em São Paulo e posteriormente diversos movimentos para proteção e defesa dos direitos das mulheres.

Paulistas e paulistanas de coração também marcaram a história, como Tomie Ohtake, Elis Regina, Anita Malfatti, Hilda Hilst, entre tantas outras. Algumas, mesmo não sendo paulistas, nomearam nossas ruas e bairros, como Anália Franco, Anita Malfati, Bartira, Veridiana da Silva Prado, Pérola Byington, Olga Benário.

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Já ouvi que a data é desnecessária, que remete a eventos trágicos, como a morte das mulheres na fábrica americana Triangle Shirtwaist Company (1911), ou que tem apenas um caráter comercial e festivo. Talvez eu concorde com todas opiniões…

É desnecessário? Gostaria que fosse, gostaria que não houvesse na história qualquer marca de preconceito seja por raça, sexo, religião. Não deveríamos ter uma data que faz referência a uma luta por condições aceitáveis.

Remete a eventos trágicos a luta das mulheres? Sim, como não pensar na condição de trabalho daquelas mulheres, no esgotamento físico com uma remuneração muito aquém dos homens? As dificuldades de nós, mulheres, podem ter mudado, mas infelizmente não deixou de existir: o “psiu” na rua, assédio verbal, agressões físicas e preconceito no trabalho. Espero que um dia comemorem essa data sem qualquer “porém”.

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Caráter comercial? Certamente não na mesma proporção de outras datas (dia das crianças, das mães, Natal…), mas “comercialmente inofensivo”. Que mal tem em dar um chocolate, uma rosa ou qualquer outra lembrança para uma mulher especial como uma forma de agradecimento? Feliz aquele que tem uma mulher ao seu lado! Seja mãe, irmã, esposa, namorada, amiga… quem nunca teve uma mulher que marcou sua vida?

Uma data festiva? Definitivamente. Independente de qualquer dificuldade, ser mulher é um privilégio. Ser mulher é ser forte e delicada ao mesmo tempo, viver num loop de emoções. É se magoar e chorar no travesseiro sem transparecer a decepção. É gritar, se descabelar e perdoar (ou não). É cuidar da casa, do escritório, da família e ter ânimo para ir a academia. É poder optar por fugir dos padrões de família e viver do jeito que a faz feliz. É poder adotar uma criança e a criar como se tivesse sido gerada por você. É batalhar com alegria por sonhos que outros consideram impossíveis. É ser doce e violenta, ouvir, ser compreensiva, dar conselhos e brigar com quem gosta. É ir a aula de muay thai como uma princesa e rolar no tatame com quem vier. É ser um leão de 1,50m ou uma criança de 1,90m. É ser uma heroína diariamente e poder viver toda beleza de ser mulher. Posso não celebrar isso?

Não esqueçamos os desafios, mas comemoremos a perfeição de todas as Marias, Fabianas, Valérias, Thatianas, Sheilas, Renatas, Luizas, Fernandas, Silvanas, Claudias, Alices, Clarisses….

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Janaina Yara Augusto
São-bernardense de nascimento. Consultora empresarial, advogada, mestranda em administração. Apaixonada por São Paulo, viagens e, claro, vinho!

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