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No Jabaquara, o Sítio da Ressaca guarda pistas de uma cidade rural

Sítio da Ressaca. Imagem de arquivo, 2016. Foto: Victor Hugo Felix, via Wikimedia Commons. CC BY-SA 4.0. Arquivo redimensionado pelo repositório; sem outras alterações neste pacote.

Quem procura a história de São Paulo apenas no Centro pode deixar passar uma casa de taipa no Jabaquara. O Sítio da Ressaca é um remanescente de uma paisagem rural que quase desapareceu sob ruas, bairros e novas construções.

A data de 1719, inscrita na verga de uma porta, é uma das pistas usadas para situar a origem do imóvel. A propriedade se relacionava com antigos caminhos e cursos d’água da região. O nome “ressaca”, aqui, acompanha essa história do lugar, e não a ideia de um passeio para o dia seguinte à festa.

Os detalhes que diferenciam a casa

Nem todas as casas antigas de São Paulo repetem a mesma planta. Nesta, a distribuição é assimétrica, o alpendre não ocupa o centro e o telhado tem duas águas. As técnicas também variam: há paredes externas de taipa de pilão e divisões internas de pau a pique.

Essas diferenças rendem uma visita atenta. Repare no encontro entre paredes e cobertura, na posição das aberturas e no tamanho dos ambientes. São elementos que contam sobre modos de construir e morar. A arquitetura fica mais interessante quando a gente consegue perceber suas particularidades.

Uma data na porta, nomes nas telhas

A casa conserva pistas que vão além de sua forma geral. O Museu da Cidade registra telhas antigas com inscrições de fabricação e identificação de oleiros, além de portas e batentes em canela-preta. Esses elementos aproximam a construção do trabalho de pessoas que não aparecem como personagens principais dos grandes relatos da cidade.

Também ajudam a entender o cuidado necessário para estabelecer datas. Uma inscrição é uma evidência material valiosa, mas precisa ser interpretada junto de outras informações. Casas são reformadas, peças podem ser substituídas e diferentes etapas de obra podem coexistir. Por isso, o ano presente no imóvel é tratado como pista para sua origem.

Quando o sítio encontrou o metrô

O loteamento realizado em 1969 coincidiu com a chegada da infraestrutura metroviária à região. Parte significativa do terreno foi desapropriada para o pátio de manobras. A história do sítio se cruza, assim, com um dos sistemas de transporte que mais mudaram a relação entre os bairros paulistanos.

Esse encontro entre uma casa de terra e a estrutura do metrô ajuda a pensar o Jabaquara sem escolher apenas uma época. O bairro não surgiu pronto junto de suas estações, e sua história rural também não encerra tudo o que veio depois. As paredes externas espessas, a posição deslocada do alpendre e o terreno remanescente são pontos de partida para reconhecer essa convivência entre diferentes projetos de cidade.

O crescimento urbano e o parcelamento do terreno mudaram radicalmente o contexto da casa. Por isso, vale olhar também para o entorno: a construção que hoje parece isolada era parte de uma propriedade maior. Conhecer o Sítio da Ressaca é uma maneira de colocar a Zona Sul no mapa da memória paulistana.

Para conhecer

O Sítio da Ressaca integra o Museu da Cidade e fica na Rua Nadra Raffoul Mokodsi, 3, no Jabaquara.

Antes de sair, confira as condições de visita e a programação no site oficial.

Fontes e informações

Informações e referência

Sítio da Ressaca. Imagem de arquivo, 2016. Foto: Victor Hugo Felix, via Wikimedia Commons. CC BY-SA 4.0. Arquivo redimensionado pelo repositório; sem outras alterações neste pacote.

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Redação SP City
Um projeto que tem a cara de São Paulo :)
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