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Parque da luz, refúgio paulistano

Gruta e cascata construídas em 1880 de influência inglesa Foto: Ana Claudia Schad

Você sabia que o Parque da Luz foi o primeiro espaço de lazer público inaugurado em São Paulo? Localizado em frente à estação de trem e metrô de mesmo nome, é um verdadeiro oásis no centro da cidade, com história curiosa, palco de alguns acontecimentos importantes e áreas desconhecidas pela maioria dos paulistanos. Aberto em 1798 por uma Ordem da Régia da Coroa Portuguesa, que exigia a criação de hortos botânicos em São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco, ainda não havia sido aberto ao público e funcionava como um viveiro de plantas. No ano de 1825 foi reformado para se tornar um parque e o primeiro espaço de lazer da cidade, inspirado em jardins franceses com seu lago em forma de cruz de malta.

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Lago com inspiração francesa no formato de cruz de malta com 8 esculturas representando as 4 estações do ano. Foto: Ana Claudia Schad

Em 1870, um fato histórico levou a mais uma reforma: soldados brasileiros que retornaram da Guerra do Paraguai foram recepcionados no local. O objetivo era deixá-lo ainda mais belo para a ocasião e transformá-lo em um ponto de chegada atrativo aos que desembarcavam da Estação da Luz recém implantada. O Jardim da Luz, nome do parque na época, foi o local escolhido para primeira exibição de luz elétrica na cidade, em 1883. Cerca de 3 mil pessoas  (10% dos habitantes da cidade) compraram  ingressos para ver essa grande novidade.

Com a crise do café e a decadência da região em que está implantado, passou por período de grande degradação até começar a ser administrado pelo Departamento de Parques e Áreas Verdes (DEPAVE) da Prefeitura de São Paulo, em 1972, que recuperou toda sua beleza.  Tombado pelo CONDEPHAAT, em 1981, o Parque possui  113 mil m² distribuídos em jardins, lagos, pista de cooper, coreto, playground, bosque para leitura, equipamentos de ginástica e gruta.

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Uma das construções do parque. Foto: Ana Claudia Schad
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Gruta e cascata construídas em 1880 de influência inglesa. Foto: Ana Claudia Schad

Um  aquário subterrâneo com 13 espécies de peixes  foi descoberto apenas em 2000. Ao transplantarem algumas árvores, encontraram uma passagem enterrada com o aquário mais antigo da cidade, já que foi construído no século XIX. Seu jardim serve de extensão para a vizinha Pinacoteca, com mais de 50 esculturas de artistas reconhecidos como Amílcar de Castro, Victor Brecheret , Franz Weissemann e Marcelo Nitsche. Possui diversas espécies de plantas e árvores, algumas inclusive em extinção. Também existem cerca de 67 espécies de animais entre pássaros, peixes e até mesmo 6 bichos-preguiça que vivem na alameda das figueiras.

O parque é rodeado de outras atrações, como a Estação da Luz, Pinacoteca, Museu da Língua Portuguesa (agora fechado após o incêndio), Museu de Arte Sacra, Sala São Paulo Rua José Paulino e demais ruas comerciais. Possui acesso fácil por metrô, trem, ônibus e inclusive a ciclofaixa aos domingos passa na sua entrada principal, na Praça da Luz. Vale reservar uma manhã ou tarde para conhecer ou revisitar esse local único na cidade com muito verde em meio a avenidas movimentadas e que funciona como um verdadeiro pulmão para a região.

Parque da Luz – End. : Praça da Luz s/nº – Bom Retiro Horário de funcionamento: terça a domingo das 9h às 18h (abre às 5h para atividades físicas)

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Vegetação exuberante e sombra garantida nas alamedas do parque. Foto: Ana Claudia Schad

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Ana Claudia Schad
Paulistana por nascimento, arquiteta por formação, fotógrafa amadora por paixão. O interesse por fotografia (@anaschad) e arquitetura nasceram praticamente ao mesmo tempo com passeios constantes pelos bairros de São Paulo e viagens. Tendo como principal programa aos finais de semana passeios onde se perde ou melhor, se ganha, horas passeando pelo centro, Avenida Paulista, Liberdade, Bixiga, Luz...até onde a lente alcança. Fotografar e explorar São Paulo é uma das minha paixões e estou sempre em busca de novos ângulos, detalhes e cenas. A gastronomia também uma grande paixão e além do instagram pessoal possui ao lado de uma sócia o @spsweety perfil inteiramente dedicado ao compartilhamento de descobertas pelos restaurantes e docerias de São Paulo. Super indicado para quem adora gastronomia e não dispensa um boa sobremesa!

17 Comentários

  • Realmente um refúgio, só não se sabe pra quem né! Pq pra andar ali, só se vc estiver em um grupo com muitas pessoas e sem nada de valor, pois caso contrário vc volta sem nada!

    • Sim, eles deixam. Só pedem, para quem está com máquina profissional se registrar na adm falando que não é fotografia comercial.

  • Acho que poderia ser melhor utilizado, especialmente por escolas públicas, associações ambientais e porque não artistas, pintores e fotógrafos! minha primeira foto, feita por um lambe-lambe, na década de 40, foi lá!

  • Gostei do artigo, mas há alguns equívocos. Não há 6 preguiças no parque, há apenas uma espécie, macho e está abandonado pela administração. Há restauração do parque não se deu em 1970, e sim em 1999. Em 1970 houve em dois anos consecutivos, eventos de fim de ano, novembro, aniversário do parque, para atrair novamente o público as visitas. A descoberta do aquário foi em 1999 quando começou o restauro do parque, pelo secretário Ricardo Ohtake. Vale a pena visitar o parque, mas antes, busque informações sobre a história dele, porque não há placas informativas sobre a história dele, apenas uma placas do lado da Avenida Tiradentes, estragadas, mas que ainda dá para saber algo sobre ele. Em 1870 não houve grandes mudanças por conta dos Soldados e sim uma recepção com um jantar para eles. 3 mil pessoas para verem a energia elétrica é real, mas não eram 10% da população nesta época, era mais ou menos 200 mil habitantes na cidade de São Paulo e não 30 mil como você colocou, e 1/3 da população da cidade era de italianos.E uma coisa muito importante que você esqueceu de colocar, a torre e que a área, original, do parque era muito maior que é agora, toda a área da Estação da Luz, era do parque, mais uma parte da Pinacoteca e da antiga escola Prudente de Morais e que a entra oficial do parque não era na entrada que é hoje. Enfim, este parque tem muita história…

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