CULTURA

A história do Largo do Arouche

By Thais Brandão

April 22, 2024

São Paulo é cheio de lugares famosos, praças, prédios, ruas, e tanto mais que são marcos da cidade, lugares que são rotina na vida de quem mora por aqui, e pontos turísticos para quem vem passear, conhecer a história desses cantinhos, nos deixa ainda mais próximos da cidade, conhecedores de seus encantos.

Hoje, nossa história é sobre o Largo do Arouche, um lugar famoso, muito presente na rotina dos paulistanos, um canto movimentado e pacato, com histórias antigas e novas, cantinhos bem tradicionais, outros mais moderninhos, todos eles estão sempre esperando por uma visita.

O nome, Largo do Arouche é uma homenagem à José Arouche de Toledo Rendon, nascido em São Paulo no ano de 1756, como era de costume das famílias ricas daquela época, foi para Coimbra cursar o ensino superior, formou-se em Direito Civil, pela Universidade de Coimbra, uma das mais antigas faculdades ainda em operação no mundo todo.

Ao retornar à São Paulo, após a conclusão de sua formação, José Arouche atuou como advogado, juiz de medições, juiz de órfãos e juiz ordinário. Sua atuação chamou a atenção da Coroa Portuguesa, que o tornou procurador da Coroa.

José também fez carreira militar, alistou-se ao posto de capitão do Estado-Maior e subindo degrau a degrau, chegou a Tenente-General do Exército, em outubro de 1829. Foi também, após a declaração de independência do Brasil, eleito deputado por São Paulo, ao lado de figuras marcantes, como José Bonifácio, Antonio Carlos Paula Souza, e muitos outros, ainda foi eleito deputado geral, mas não chegou a ocupar o cargo, sendo substituído pelo brigadeiro José Vicente da Fonseca.

Largo do Arouche em 1959

José foi também o primeiro diretor da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, ocupando o cargo de 1827 a 1833. Era dono de grande parte das terras da zona central da cidade de São Paulo, conhecida como Vila Buarque, onde está o Largo do Arouche.

O Largo do Arouche ganhou vários nomes com o passar dos anos, Tanque do Arouche, Praça da Alegria e Praça da Legião são alguns dos reconhecidos, no ano de 1865 recebeu oficialmente o nome de Campo do Arouche, mas em 1910, a lei 1.312 mudou seu nome para Praça Alexandre Herculano. Após diversos protestos, em 1913, a lei municipal 1741, através de seu inciso 2, reverteu o nome para Largo do Arouche, o nome definitivo da praça.

Famoso por seu Mercado das Flores, que tem quase 60 anos de tradição, há diversos floristas da Praça da República reunidos por lá, num local que remete aos mercados de flores franceses. Além disso, há importantes esculturas de artistas renomados.

A Menina e o Bezerro de Luís Christophe, uma obra de Claude Dunin, Amor Eterno que emociona à todos que passam, do francês Louis Eugéne Virion, são todas obras que valem a pena ser vistas, são parte da história e da cultura da cidade.

Ainda falando de história e tradição, muitos lugares ao redor do largo precisam ser visitados, o La Casserola é o primeiro bistrô da cidade, fundado em 1954 ainda em funcionamento. O tradicionalíssimo Gato que Ri, é famoso por suas massas e frequentadores famosos.

Gato que Ri

Para os mais moderninhos, o Preto Café, um café que não tem preço definido, e que já falamos aqui, também fica ali.

Além de tudo isso, o Largo do Arouche é um polo de diversidade, principalmente sexual, há boates e eventos para a comunidade LGBT, desde 2015 foram instaladas bandeiras em homenagem ao dia do orgulho LGBT na praça, que devem estar sempre na praça. A prefeitura de São Paulo aproveitou que o local já é adorado pela comunidade e instalou o Centro de Cidadania LGBT no Largo do Arouche!

Por toda a sua história e encantos, o Largo do Arouche precisa ser visitado e revisitado sempre!