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Série Avenida Paulista: do palacete de Jayme Loureiro ao Ed. Paulista 1000

A Série Avenida Paulista já publicou a história de 33 casarões da Avenida Paulista do século passado. Esta semana estamos publicando a 34ª história: a do Comendador Jayme Ferreira Loureiro. O Comendador morava no número 89A da avenida esquina com a Alameda Campinas. O belo projeto e construção é mais uma obra do escritório técnico Ramos de Azevedo.

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Jayme Ferreira Loureiro era um português que fez a vida na capital paulista. Não sabemos quando chegou, mas temos notícias suas no início do século passado. Era irmão do Comendador Manuel de Barros Loureiro e, na década de 1920, sua irmã, Casimira, uma médica portuguesa conceituada, trocou Portugal pelo Brasil, por conta de estar perto dos irmãos.

O Comendador casou-se com a Sra. Angela de Barros Loureiro e, com ela teve os filhos: Jayme Ferreira Loureiro Filho, Jayro, Flora e José Eduardo. Toda a família morou na Avenida Paulista.

Jayme Loureiro teve uma vida bastante produtiva na sociedade paulistana. Foi proprietário da Martins Costa & Comp., situada na rua José Bonifácio, que era um comércio atacadista de fazendas, roupas e armarinhos, empresa que passou por diversas composições societárias durante 20 anos, mas com o Sr Jayme sempre à sua frente.

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No lado profissional, foi membro do conselheiro consultivo da Bolsa de Mercadorias de São Paulo, da Associação Comercial de São Paulo, e participante ativo da Câmara Portuguesa do Comércio. Em 1927, declarou que tinha orgulho de ter tido um excelente resultado financeiro em sua empresa, mas o mais importante era que 95% das vendas eram de artigos de produção nacional e destes 85% era de produção paulista, dando ideia de como nosso Estado foi importante, neste período, para o desenvolvimento econômico do país.

O comendador foi membro destacado o Rotary Clube e foi o seu lado benemérito que mais deixou marcas na cidade, foi Provedor Mor do Hospital São Luiz Gonzaga no Jaçanã de 1922 a 1926, foi membro do conselho da Santa Casa de São Paulo, sendo o Provedor do Hospital dos Lázaros, também foi presidente do Conselho deliberativo da Sociedade Portuguesa de Beneficência e grande incentivador e um dos financiadores do Instituto do Radium, hoje o Instituto do câncer Arnaldo Viera de Carvalho no centro de SP (este é o Dr. Arnaldo que dá nome a rua aonde está o Hospital das Clínicas).

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Um belo edifício localizado na na Rua 7 de abril, número 235, nomeado Jayme Loureiro, também é (ou era) propriedade da família. Projetado por Ramos de Azevedo, foi fundado em 1927 e conservado até hoje, tombado pelo Condephaat, faz parte do patrimônio histórico da cidade. Uma de suas principais características é seu elevador com portas pantográficas. 

 

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Foto: Jefferson Coppola/Folha Imagem

A família tinha outros prédios muito bonitos, inclusive um na Rua Marconi, 19, o Edifício Ângela Loureiro, nome dado em homenagem à esposa de Jayme Loureiro.
Sobre a linda mansão de Jayme Loureio, na Avenida Paulista, segundo Benedito de Toledo Lima, autor do Álbum Iconográfico da Avenida Paulista,

a residência vincula-se ao classicismo francês com seus componentes habituais: mansarda (pequeno cômodo situado numa abertura do telhado, com parede inclinada e teto baixo), porte-cochère (via para passagem de carros), uma composição equilibrada. Seus jardins estendiam-se até a Rua São Carlos do Pinhal, com estufa, caramanchão e belo arvoredo.

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Em janeiro de 1936, o comendador sofreu uma grande perda: o falecimento de seu filho Jayro Loureiro, ainda jovem. O velório ocorreu na casa dos pais, à Avenida Paulista 89A. Neste mesmo ano, sete meses depois em agosto, faleceu o Comendador, sendo velado na própria casa.

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Neste local, atual Avenida Paulista, número 1000, foi construído em 1986 pela construtora João Fortes, o Edifício Paulista 1000, muito provavelmente depois do casarão ter ido abaixo por conta do risco de ser tombado, fato que aconteceu com muitos casarões naquele período. Com um total de 17 andares, por muitos anos, o prédio foi a sede do Banco Sudameris. Atualmente, pertecente a Savoy, uma empresa de planejamento, incorporação, construção e administração de negócios imobiliários, com sede no próprio edifício.

Logo na entrada, próximo as portas da agência do Itau Personnalite, vemos esculturas humanas que representam as 4 estações. Atualmente elas ficam na lateral do prédio junto a um lindo poste de luz antigo.

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Foto: Guasca Tur

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Para quem quiser ver com mais detalhes todas as esculturas pode assistir o o vídeo intitulado Escultura na Paulista.

Até a próxima semana!

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Luciana Cotrim
the authorLuciana Cotrim
Paulistana até a alma, nasceu no Hospital Matarazzo, no coração de São Paulo. Passou parte da vida entre as festas da igreja Nossa Senhora Achiropita, os desfiles da Escola de Samba Vai-Vai e as baladas da 13 de maio no bairro da Bela Vista, para os mais íntimos, o Bixiga. Estudou no Sumaré, trabalhou na Berrini e hoje mora em Moema. Gosta de explorar a história e atualidades de São Paulo e escreveu um livro chamado “Ponte Estaiada – construção de sentidos para São Paulo” resultado de seu mestrado em Comunicação e Semiótica na PUC. É consultora em planejamento de comunicação e professora de pós-graduação no Senac.

10 Comentários

    • Na época, quem fez esse alarde sobre o tombamento dos edifícios, foi o próprio Ruy Ohtake, que era Presidente do Condephaat. Com sua atuação desastrosa, várias famílias que controlavam casarões na cidade, principalmente na paulista, que era na época valorizada para edifícios comerciais, demoliram seus imóveis, impedindo que a temida posse dos mesmos fosse afetada. Esse desserviço que ele causou, foi desnecessário e mesmo no auge da crise, não havia um correto esclarecimento sobre o que era tombamento e quais os graus dos mesmos, menos ainda a correta informação que o fato não mudava propriedade nem posse, apenas restringia em diferentes graus as possíveis intervenções. Algo que poderia ser utilizado a favor, como foi em Salvador, BA, onde vários palacetes tombados se mantém, mesmo sendo construídos edifícios logo atrás, alguns deles, incorporando o palacete como sede social dos edifícios, muito mais que salões de festas. Alem de outras propostas como bibliotecas etc. Essa gestão do condephaat foi um desastre, mesmo assim, foi nela que muito do que ainda existe foi mantido, porque entre a pressa e anúncios seletivos de quais propriedades seriam tombadas, fator que não existe, o tombamento é feito a partir de um pedido, obras que ele admirava foram protegidas, como as modernistas e brutalistas, e outras de menor apreço foram anunciadas, ocasionando diversas atitudes desesperadas, pois o termo era confundido como ” tomamento”, algo bem diferente. Nunca o fato foi devidamente esclarecido e os bancos, compradores da maior parte desses casarões/lotes, acabaram mais tarde financiando vários trabalhos dele, então fica a dúvida, ou mesmo a explicação pra história. Ambos os casos, tudo pode ser negado e nada provado, apenas o fato, esse sim inegável que muitas demolições ocorreram assim. E não por ganância como se fala, e sim pelo medo de ter seu bem privado tornado público. Alguns casos específicos mais esclarecidos, como da família Matarazzo, com o casarão que virou estacionamento, foi por ojeriza a proposta de uso social do casarão pela Prefeitura, onde já se sabia que o tombamento não iria tomar nada, aliás, naquele ano não foi aceito o pedido de tombamento do casarão, sabe-se lá porque. Dai veio abaixo na mesma noite do anuncio da proposta. Assim que soube de varias fontes sobre as diversas fases de quedas dos casarões. Até hoje qualquer pessoa pode soar o tombamento de qualquer bem, material e imaterial, sem custos, nem dificuldades. O processo é bem transparente e corre sem anúncios bizarros e irresponsáveis. Mais uma vez, parabéns pela reportagem, que bom que havia esse primeira parte. Obrigado Luciana e Flora.

  • Tive uma colega de escola, da 3.ª à 7.ª série em Campinas, chamada Sarah, que morou nesta casa de 1974 a 1975.

    • Olá, Marcelo.

      É mesmo? Imagino que você não tenha mais o contato dela. Gostaria muito de contatar os familiares que moraram nesta casa.

      • Oi, Luciana. O nome todo da minha colega era Sarah Ann Peterson, acho que um nome bastante comum pelos Estados Unidos.

  • Agradeço a Luciana Cotrin que retornou o meu contato a respeito desta casa . Quem seriam as senhorinhas que eu via passeando pelos jardins da casa, se não estou enganada, até o começo dos anos 80…
    Obrigada Luciana..

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