CULTURACURIOSIDADES

Imigração de construir São Paulo.

©Daniel Foggiato. Fachada do Museu da Imigração

Quem acompanha nosso site diariamente, se depara com uma enorme gama de artigos falando sobre as atrações de nossa cidade. São diversos textos destacando, entre outras coisas, pontos turísticos, bairros típicos, restaurantes coreanos, libaneses, vietnamitas; eventos da cultura grega, haitiana, síria. E por aí vai. Já pensaram como é possível esse caldeirão multicultural da cidade de São Paulo? É provável que sim. Vamos falar então um pouco de como isso começou; a história da imigração em São Paulo.

O movimento migratório para o nosso continente teve seu apogeu no período entre as duas Guerras Mundiais, Estima-se que 50 milhões de pessoas oriundas da Europa e Ásia vieram para desbravar a América. No Brasil, eles vinham principalmente para trabalhar no café, que estava no ápice e na construção civil, pois a industrialização da nossa metrópole ia também de vento em popa. No final do século XIX, precisamente em 1887, foi inaugurada em São Paulo a Hospedaria de Imigrantes, vinculada ao estado e que logo se transformou no principal ponto de abrigo para os estrangeiros que atracavam no Brasil, pelo porto de Santos. Os dados históricos apontam que 2,5 milhões de pessoas passaram pela Hospedaria, entre a sua inauguração até 1978, ano em que ela encerrou suas atividades.

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Imigrantes italianos no pátio da Hospedaria. Acervo Museu da imigração

Ao chegar lá, os estrangeiros eram cadastrados no livro de matrícula da Hospedaria. Depois tomavam banho, vacina, passavam por médico, dentista e se alimentavam no refeitório. Todos ficavam alojados em dormitórios. A rotatividade era sempre muito alta. As famílias que chegavam, ficavam em média uma semana no local, pois logo já eram designadas para irem pro interior, nas fazendas, ou tentar a sorte aqui na capital, trabalhando como operário. Os contratos entre os imigrantes e os fazendeiros eram intermediados pela própria Hospedaria, que possuía até intérpretes para auxiliar nas negociações. Quando o ciclo do café começou a decair, as famílias tiveram de sobreviver com outras atividades.

Deu no que deu. Toda essa miscelânea de serviços, aos quais temos acesso hoje, tiveram de alguma forma suas sementes plantadas por esses imigrantes. Certamente que os migrantes também têm uma importância primordial nesse processo. Mas isso é assunto pra outro texto.

E que fim levou a Hospedaria após 1978?

Ela se transformou em uma busca pelo início. Um lugar para a pesquisa da origem de cada um, de descoberta da história e da trajetória de sua família. É o Museu da Imigração, que fica bem pertinho da estação Brás de metrô. O prédio ainda é o mesmo, com um lindo jardim, café, estúdio para fotos de época, passeio de maria fumaça e uma exposição permanente incrível, que vai contar essa história da Hospedaria e muitas outras.

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©Daniel Foggiato. Jardim do atual Museu da Imigração

Perca um bom tempo nos depoimentos dos imigrantes nas televisões do museu. são histórias esperançosas e inspiradoras. Há os mapas das principais rotas que chegavam em Santos, as fazendas em que eles eram alocados, as cartas que eles escreviam para os parentes avisando de suas condições, as comunidades que eles montaram em São Paulo, que tanto gostamos de frequentar. E o ponto alto: há terminais de pesquisa em que podemos localizar nossos antepassados. Basta eles terem passado pela Hospedaria, o que é muito provável. Você tem os dados dos seus parentes que imigraram pra cá? Corre lá no museu e os procure!

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©Daniel Foggiato. Antigos dormitórios da Hospedaria reproduzidos no Museu do Imigrante.

O meu trisavô (pai do meu bisavô) Pietro Foggiato está lá registrado na Hospedaria, na página 2 do livro 72, com chegada em 23/02/1902, no Vapor (navio) Attivitá. Ele seguiu para trabalhar em uma fazenda em Serra Negra e, a partir daí, o resto é a história da minha família. Família a quem eu dedico esse artigo, especialmente a esse cidadão de Treviso, mencionado acima, que veio se aventurar aqui e ajudou a construir a riquíssima cidade em que eu habito.

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©Daniel Foggiato. Maria Fumaça para passeios no Museu da Imigração
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Daniel Foggiato
the authorDaniel Foggiato
Nascido em São Paulo. Graduado em Letras pela PUC-SP e em Educação Artística pelo Instituto de Artes da UNESP. Atuou bastante tempo na área da arte-educação, até começar a trabalhar exclusivamente com a fotografia, a partir de 2012.Atua profissionalmente nos seguintes segmentos de fotografia: still de produto, espetáculos, arquitetura, bebês e social-corporativo. Atende clientes como Walmart, Bourbon Street Music Club, além de agências de publicidade e outros.Cursa atualmente pós-graduação em Fotografia na FAAP, em São Paulo.

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