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Série Avenida Paulista: do palacete de Octávio Mendes ao Bradesco Prime

Nesta semana apresentamos a casa de Octavio Mendes que ficava na Avenida Paulista número 73 onde atualmente se localiza o número 1450 do Banco Bradesco Prime. Embora não tenhamos muitas informações sobre a mansão, a história de vida do Dr. Octavio Mendes é bastante interessante. Caso alguém conheça algum descendente da família, seria de imensa ajuda para buscar fotografias da mansão na Avenida Paulista.

Sua origem é de família simples, do interior de São Paulo. Nascido em uma pequena propriedade rural de seu avô materno, ainda bebê veio para Campinas, onde seu pai montou uma banca para vender os produtos vindos das terras de seu sogro. Octávio passou sua infância nesta cidade.

Em 1885, o jovem mudou-se para São Paulo para estudar Direito, ajudado por sua mãe, com o auxílio de Francisco Clycerio e de Bernardino de Campos. Quando chegou a cidade, levou uma carta Francisco Clycerio indicando o rapaz para o Sr. Rangel Pestana, que era diretor do jornal “A Província de São Paulo” (atualmente “0 Estado de S. Paulo”).  Admitido como revisor, logo passou para a redação do jornal.

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Aos 20 anos, em novembro de 1889 tornou-se bacharel em ciências jurídicas e sociais. Um fato interessante é que a colação ocorreu em nome do nosso Imperador Dom Pedro II, poia somente 10 dias Manuel Deodoro da Fonseca faria a rebelião que ocasionou a Proclamação da República.

Octávio Mendes casou-se em outubro de 1891, aos 22 anos, com Elisa de Moraes Barros. Do seu enlace nasceram seis filhos: Maria Ignez, Sylvia, Cecília, Elisa, Leonor, casada com o Dr. Adhemar de Barros, que foi governador do Estado, e o único homem, Octávio Mendes Júnior, que ficou conhecido como Octavinho.

Passou pela carreira jurídica como promotor, mas foi como advogado do direito comercial que Octavio Mendes ganhou reconhecimento e fama. No começo de 1910, contraiu uma doença que o transformou num deficiente físico para o resto da sua existência. A doença, desconhecida no Brasil, foi diagnosticada na Europa, para onde seguira a tratamento. Era a poliomielite que lhe tirou a locomoção aos 40 anos de idade.

Passou um longo período triste e fechado em seu escritório de advocacia, todas as atividades externas eram realizadas pelo seu sócio. Porém, em 1920, Octávio Mendes começa a lecionar na Faculdade de Direito, onde havia se formado, assumindo a cadeira de direito comercial. No artigo escrito em comemoração ao centenário de seu nascimento, encontra-se a seguinte observação:

Ei-lo professor. Suas aulas merecem a atenção geral. Mestres e discípulos açodem e aplaudem o novo docente que, não obstante sempre enfermo, não se podendo quase mover, é de absoluta pontualidade na Faculdade e no movimentado escritório.

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Projeto da casa de Octavio Mendes realizado por Augusto Fried.

Octávio Mendes cumpria suas obrigações indo à Faculdade, seu escritório e sua casa na Avenida Paulista. Sobre esta última, no mesmo documento citado acima, ficamos sabendo que

era cercada de denso arvoredo, cuja sombra gostava de receber, tornou-se o centro a que acorriam parentes e verdadeira legião de amigos e admiradores. O ambiente era acolhedor punha à vontade os visitantes, sempre recebidos com carinho.

A casa, realmente, deve ter sido bela e confortável, com projeto de Augusto Fried foi construída em 1906. O famoso arquiteto projetou vários edifícios e casas em São Paulo, como o palacete de von Bulow, na própria Paulista. As outras duas únicas referências à casa são sobre a enorme biblioteca, que guardava os livros jurídicos e que o Dr. Mendes conhecia em detalhes, e ao corredor longo da entrada da casa, onde ele percorria, quando fazia exercícios para as pernas com a ajuda de duas bengalas.

Octávio Mendes escreveu vários livros, sendo o último sobre Títulos de Crédito, em 1931, editado pela Livraria Acadêmica, de Saraiva & Cia., de São Paulo. Doente, morreu depois de longo sofrimento por 5 meses, seu enterro saiu da casa na Avenida Paulista para o Cemitério da Consolação.

Uma curiosidade: você sabe o nome da rua que fica na lateral do MASP e tem uma choperia com mesas na calçada? Acredito que ninguém saiba. A rua chama-se Professor Octávio Mendes, em homenagem a esse ilustre advogado.

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No local da casa, muitos anos depois, em 1973, na Avenida Paulista, 1450 foi construído o Edifício Banco Mercantil de São Paulo, onde hoje está instalado o Bradesco Prime. O    arquiteto responsável pelo projeto foi Luis Alberto du Plessis, que 1953, era sócio fundador da Construtora Adolpho Lindenberg e, depois de sua saída, fundou em 1977 a DP Engenharia 1977.

O Banco Mercantil de São Paulo foi fundado por Gastão Vidigal e sob a direção de seu filho, Gastão Eduardo de Bueno Vidigal, chegou a ser um dos maiores bancos privados do Brasil, como mostra o anúncio publicado na Revista Veja em agosto de 1994, que mostra a entrada do prédio na Avenida Paulista, onde estava a matriz do banco.

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Após a morte de Gastão Eduardo, em 2002, o banco perdeu ativos e foi vendido para o Bradesco, que até hoje ocupada o edifício da Avenida Paulista. Belas fotografias históricas foram tiradas, da parte externa e interna, do banco Mercantil de São Paulo,  publicadas na página do facebook dos Ex funcionários do Banco Mercantil de São Paulo e, algumas delas, podem ser conferidas aqui. Além das fotos atuais do Bradesco Prime e alguns dos Natais a frente da fachada do banco.

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Para finalizar, trouxemos a linda apresentação do coral da Fundação Bradesco no Natal Iluminado realizado na frente do edifício. Vale relembrar!

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Luciana Cotrim
the authorLuciana Cotrim
Paulistana até a alma, nasceu no Hospital Matarazzo, no coração de São Paulo. Passou parte da vida entre as festas da igreja Nossa Senhora Achiropita, os desfiles da Escola de Samba Vai-Vai e as baladas da 13 de maio no bairro da Bela Vista, para os mais íntimos, o Bixiga. Estudou no Sumaré, trabalhou na Berrini e hoje mora em Moema. Gosta de explorar a história e atualidades de São Paulo e escreveu um livro chamado “Ponte Estaiada – construção de sentidos para São Paulo” resultado de seu mestrado em Comunicação e Semiótica na PUC. É consultora em planejamento de comunicação e professora de pós-graduação no Senac.

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