Série Avenida Paulista: modernos palacetes e antigos arranha-céus paulistanos. Ou vice-versa.

Série Avenida Paulista: modernos palacetes e antigos arranha-céus paulistanos. Ou vice-versa.

Série Avenida Paulista conta a história dos antigos palacetes e mansões do início do século XX e os atuais edifícios que ocupam seus lugares.

A Avenida Paulista foi inaugurada em 8 de dezembro de 1891 e a escolha de seu nome foi uma homenagem à população paulista.

Muito antes disso acontecer, eram as tribos indígenas que viviam na região e chamavam o lugar de Morro do Caaguaçu, que significa “Mata-Grande” no dialeto tupiniquim. Nesta época, a vegetação era densa e coberta com árvores muito altas como o Jatobá, Pau-ferro, Embaúba, entre outras.

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Avenida Paulista em 1898

Com a chegada dos portugueses houve a abertura de um caminho na parte alta do morro, que foi nomeado de Rua da Real Grandeza. Nos anos 1880, o local pertencia à Chácara do Capão, propriedade de Manuel Antônio Vieira.

Poucos anos depois, a Avenida Paulista foi projetada pelo engenheiro uruguaio Joaquim Eugenio de Lima, que também batizou com seu nome uma de suas ruas transversais mais famosas da avenida. Com mais dois sócios, Eugenio de Lima adquiriu parte da Chácara do Capão, incluindo a área do Morro do Caaguaçú, que foi loteado, surgindo a Avenida Paulista. Construída no topo do morro, a via continua sendo umas das avenidas mais altas da cidade: 900 metros acima do nível do mar.

Por ser a primeira rua pública asfaltada e arborizada de São Paulo, foi feita bem larga, com três vias separadas por magnólias e plátanos, com imensos lotes de cada lado. Um projeto audacioso, inovador e nunca visto à época.  Seu nome deveria ser Avenida das Acácias ou Prado de São Paulo, mas Eugenio de Lima resolveu mudar: “Será Avenida Paulista, em homenagem aos paulistas”.

Uma curiosidade do nosso mundo político: no final da década de 1920, o nome da via foi alterado para Avenida Carlos de Campos, em homenagem ao ex-governador do estado de São Paulo, mas o povo não gostou e repudiou a mudança, que fez com que o nome voltasse a ser Avenida Paulista.

No começo do século XX, os ricos senhores do café, os grandes comerciantes e os chefes das indústrias construíram elegantes mansões nos lotes da avenida. Aos poucos a avenida se transformou no centro da animação da cidade. Em suas vias aconteceram corridas de charrete, de cabriolés e dos primeiros automóveis e, claro, os grandes carnavais dos anos 20 e 30.

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A avenida no sentido Paraíso-Consolação, em 1902. Ao fundo, o pico do Jaraguá e, à direita a mansão da família Matarazzo.

Atualmente, restam apenas cinco casarões deste período na Avenida Paulista, que foram tombados pelo Patrimônio Histórico de São Paulo. Tanto nestas edificações ainda existentes, como nos registros e imagens das que já foram demolidas, é possível “viajar” por um trecho fundamental da história da cidade de São Paulo.  Foram muitas conquistas, acelerado desenvolvimento, diversas demolições, gente que foi…, que ainda vem… e gente que vai … Só ela, a avenida, fica como resultado desta história sincrética e diversa que faz a Paulista que conhecemos hoje.

Muito moderna no início do século XX com seus palácios, barões e condes, a Paulista, de mais de 120 anos é, com certeza, a avenida mais contemporânea da cidade. Quem desejar poderá ver os casarões, saber das famílias que lá viveram, reconhecer seus costumes e (re)viver o significado e a importância desta época. E principalmente entender como chegamos ao que é hoje.

Vamos dar uma volta nessa época, conhecendo um pouco da origem de São Paulo? Nos próximos posts vamos apresentar os casarões com o que temos atualmente nos seus lugares. Acompanhe a série Avenida Paulista: Antiga&Moderna, com fotos e informações dos casarões e palacetes, suas histórias e, em paralelo, com o que foi construído em seus terrenos e que permanecem até os dias atuais.

Por agora veja mais algumas fotos da história desta maravilhosa avenida:

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Calçamento da Avenida Paulista em 1891

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Vista da avenida após sua inauguração, na direção do Paraíso, década de 1890

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Vista do corso de Carnaval na esquina com a Rua da Consolação na década de 1920

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Vista desde a praça Oswaldo Cruz, na direção da Consolação, na década de 1930

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Vista desde o Masp, na direção da Consolação, na década de 1950

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Avenida Paulista na década de 1960, na altura do Conjunto Nacional.

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Esquina da avenida Paulista com a rua Augusta, 1970

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Paulista na década de 1980.

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Paulista na década de 1990.

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Paulista anos 2000.

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Infográfico com informações interessantes sobre a Av. Paulista. Fonte: América, 2011

Acompanhe a série Avenida Paulista: Antiga&Moderna, com fotos e informações e histórias dos casarões e palacetes e dos edifícios que tomaram o lugar deles.

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Paulistana até a alma, nasceu no Hospital Matarazzo, no coração de São Paulo. Passou parte da vida entre as festas da igreja Nossa Senhora Achiropita, os desfiles da Escola de Samba Vai-Vai e as baladas da 13 de maio no bairro da Bela Vista, para os mais íntimos, o Bixiga. Estudou no Sumaré, trabalhou na Berrini e hoje mora em Moema. Gosta de explorar a história e atualidades de São Paulo e escreveu um livro chamado “Ponte Estaiada – construção de sentidos para São Paulo” resultado de seu mestrado em Comunicação e Semiótica na PUC. É consultora em planejamento de comunicação e professora de pós-graduação no Senac.

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