CULTURACURIOSIDADES

As mulheres pelas ruas de São Paulo

Muitas mulheres deixaram sua marca por São Paulo e algumas são lembradas através de praças, ruas, avenidas e bairros que levam seus nomes.

Quem são elas?

Anália Franco Bastos (AAn%C3%A1lia+Franco - As mulheres pelas ruas de São Paulovenida Anália Franco – Tatuapé)

Nasceu em 1º de janeiro de 1853, em Resende/RJ. Aos 16 anos, quando já morava em São Paulo, formou-se no Magistério. Foi escritora, professora e jornalista. Seu trabalho começou com crianças negras e se estendeu à mão de obra jovem não qualificada e às prostitutas.

Criou a Associação Feminina Beneficente e Instrutiva de São Paulo em 1901. Posteriormente criou escolas maternais, elementares e o “Liceu Feminino” que preparava professoras para suas próprias escolas. Ao total criou 71 escolas, 2 albergues, uma colônia regeneradora para mulheres, 23 asilos para órfãos, uma banda musical feminina (das mulheres da colônia), uma orquestra, um grupo dramático, além de oficinas profissionalizantes na capital e no interior.

Vitimada pela gripe espanhola, morreu em 20 de janeiro de 1919.

Ana Rosa de Araújo Marcondes (Largo Dona Ana Rosa – Vila Mariana)

Nascida em São Paulo em 1786. Dedicou sua vida exclusivamente às obras de caridade.

Deixou em testamento cerca de sessenta contos de réis para fundação de uma casa de beneficência. Em 1874 o valor doado foi utilizado pelo Barão de Souza Queiroz para criação do Instituto Ana Rosa (www.anarosa.org.br), destinado a asilar e manter crianças pobres proporcionando instrução geral e educação profissional.

Atualmente o Instituto, localizado na Vila Sônia, tem como objetivo o atendimento gratuito a crianças e jovens de baixa renda em 3 programas conveniados com a Prefeitura.

Anita Catarina Malfatti (Rua Anita Malfatti – Casa Verde)681d0fa83691a508f622f0b490d84f24 - As mulheres pelas ruas de São Paulo

Pintora, desenhista e professora, nascida em São Paulo, em 1889.

Considerada a primeira representante do modernismo no Brasil iniciou os estudos com a mãe e continuou na Academia de Belas Artes em Berlim, no Art Students League e na Independent School of Arts em Nova Iorque.

Em 1917, quando retornou ao Brasil, realizou uma exposição com 53 obras, entre elas clássicos como “A estudante” e “A mulher de cabelo verde”. A arte foi defendida por Oswald de Andrade e duramente criticada por Monteiro Lobato, o que levou Anita a depressão. Já em 1922 teve participação chocante na Semana de Arte Moderna.

Os quadros “A estudante”, “A boba” e “Uma Rua” ainda estão expostos pelo Brasil.

Morreu em São Paulo, em 1963.

Dina Kutner de Souza – Dina Sfat (Rua Dina Sfat – Jardim Miriam)

Atriz,SFAT - As mulheres pelas ruas de São Paulo nasceu em São Paulo, em 1939.

Participou de espetáculos importantes na década de 1960 em São Paulo e conquistou o Prêmio de melhor atriz por seu desempenho em Arena Conta Zumbi, em 1965, um musical de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal.

Em 1966 estreou no cinema e, em 1969, viveu a guerrilheira Ci de Macunaíma, filme premiado de Joaquim Pedro de Andrade.

Começou a atuar na televisão na TV Tupi e trabalhou em novelas da TV Record e TV Excelsior.

Durante o regime militar defendeu a liberdade de expressão e na luta das mulheres por uma cidadania plena.

Morreu aos 49 anos, vítima de um câncer de mama.

Maria Angélica de Souza Queiroz (Avenida Angélica – Higienópolis)

Considerada uma das três senhoras fundadoras dos bairros de Santa Cecília e Higienópolis, juntamente com Veridiana Valéria da Silva Prado (Rua Dona Veridiana) e Maria Antônia da Silva Ramos (Rua Maria Antônia), donas de grandes áreas na região e filhas de barões do café. As tradicionais famílias dominavam as atividades sociais e políticas da capital paulista no século XIX.

Após deixar a propriedade do pai, Maria Angélica construiu um palacete, réplica do Palácio de Charlottensburg, localizado na Alemanha, onde hoje se encontra a Avenida Angélica.

A baronesa doou mais de 3 mil metros quadrados do imóvel para a Associação Damas da Caridade, que abriu um externato para recolhimento e educação de órfãos, em funcionamento até hoje (http://www.damasdacaridade.org.br/).

Maria Antônia da Silva Ramos (Rua Maria Antônia – Higienópolis)

Senhora da sociedade paulistana, em 1874 vendeu uma área de sua propriedade para o reverendo Chamberlain, por 800 mil réis, onde futuramente seria o campus do Mackenzie.

Pérola Byington (Praça Pérola Byington – Centro)perola - As mulheres pelas ruas de São Paulo

Nasceu em 1879, em Santa Bárbara. Juntamente com Maria Antonieta de Castro, em 1930 fundou a Cruzada Pró-Infância, entidade voltada ao combate da mortalidade infantil.

Desde 1933 defendeu a importância da educação sexual e procurou influenciar autoridades para execução de programas voltados ao cumprimento de direitos adquiridos pelas mulheres.

O Hospital Pérola Byington, criado pela cruzada Pró-Infância, é referência no atendimento à saúde das mulheres em geral e daquelas que são vítimas de violência.

Patrícia Rehder Galvão – Pagu (Rua Patrícia Galvão – Guaianases)

patricia rehder - As mulheres pelas ruas de São PauloEscritora, jornalista, desenhista e tradutora, nasceu em 1910, em São Paulo. Foi uma das principais mulheres do movimento modernista brasileiro.

Ao lado de seu marido Oswald de Andrade (anteriormente casado com Tarsila do Amaral) lutou pelos direitos trabalhistas e fundou o jornal “O Homem do Povo”. Escreveu ensaios e livros sob o pseudônimo Mara Lobo.

Na contramão em sua época, Pagu fumava na rua, falava palavrão e usava blusas transparentes. Foi a primeira mulher presa no Brasil por motivos políticos e presas algumas outras vezes.

Na capital morou na Liberdade, Brás, Aclimação, Bela Vista e Santo Amaro. Depois de períodos no Rio de Janeiro e Paris mudou-se para Santos onde morreu em decorrência de um câncer.

Veridiana da Silva Prado (Rua Dona Veridiana – Higienópolis)

Nasceu em São Paulo, em 1825. Casou-se aos 13 anos, por imposição da família, com um meio irmão do pai. Em 1848 saiu da fazenda da família e mudou para capital com seus seis filhos.

Em 1884, após uma viagem a Paris, mudou-se para um palacete que ficou conhecido como Chácara Dona Veridiana. Tal Chácara tornou-se o ponto de encontro de artistas, políticos, cientistas e intelectuais.

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Janaina Yara Augusto
São-bernardense de nascimento. Consultora empresarial, advogada, mestranda em administração. Apaixonada por São Paulo, viagens e, claro, vinho!

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