CURIOSIDADES

LENDAS URBANAS: casa da dona Yaya

Dando sequência à série de lendas urbanas que assombram a cidade de São Paulo, hoje é dia de conhecer um local que foi lar de uma mulher que viveu isolada durante toda sua vida. Imagine uma criança que teve uma vida normal e, durante adolescência tem perdas significativas que a deixam devastada e enlouquecida, fazendo que ela fique presa na própria casa sem receber nenhuma visita e sem autorização para ter contato com o mundo externo. O resultado são gritos ensurdecedores escutados por vizinhos diariamente, que muitos juram ouvir até hoje, mesmo passados quase 100 anos da morte da mulher. A lenda urbana de hoje conta os mistérios ao redor da casa da dona Yaya.

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A casa da dona Yaya

Em 1920, Sebastiana de Mello Freire foi diagnosticada com sérios problemas mentais. O conselho do médico foi que toda a família se mudasse para um bairro mais tranquilo, onde a moça pudesse ficar afastada da agitação da cidade. No novo endereço do Bixiga, Sebastiana perdeu primeiro suas irmãs e, depois, seus pais. Sem família, a mulher permaneceu na residência apenas com uma empregada que se encarregava dos cuidados da enferma. Dizem que ela ficou trancafiada na própria casa por 40 anos, morreu louca e seu espírito nunca deixou aquele endereço.

Dona Sebastiana de Mello Freire, conhecida por Dona Yayá, habitou a casa por 40 anos, de 1921 até a sua morte em 1961.
Moradores antigos do bairro alegavam que o casarão era mal assombrado: ouvia-se por toda a redondeza gritos que possivelmente viriam do fantasma de D. Yayá, toda de branco a embalar um bebê! Na verdade, a casa durante 40 anos foi um hospício privado para sua rica moradora, considerada alienada numa época de parcos conhecimentos psiquiátricos e extremamente preconceituosa em relação às mulheres que ousavam. Considerada independente e avançada, Yayá quando jovem era uma descontraída e alegre protetora dos artistas.

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Filha de Manoel Almeida Mello Freire e Josephina Augusta de Almeida Mello, Dona Yayá nasceu em 21 de janeiro de 1887, em um palacete de dois andares à Rua Sete de Abril. Em 1900, seus pais morrem com diferença de dois dias! Os orfãos de 14 e 18 anos ficam sob os cuidados da madrinha Eliza Grant e como tutor é nomeado Manoel Joaquim de Albuquerque Lins. Yayá vai estudar no internato do tradicional colégio Nossa Senhora de Sion (permanecendo até 20 anos). Yayá era fluente em francês, escrevia bem, tocava piano, adorava as artes plásticas e praticava fotografia, revelando e ampliando suas próprias fotos em seu laboratório. Em 1905, fazendo uma viagem à Argentina de navio, o irmão Manoel desaparece misteriosamente de seu camarote. Os primeiros sintomas surgiram em 1918 quando achando que ia morrer, redigiu a lápis seu testamento e começou a distribuir jóias para os empregados (com Rosa recolhendo-as em seguida). Em 1919 novo surto: achava que todos queriam violentá-la e matá-la. Não comia e tentou o suicídio. Em 1920 é levada para o imóvel da Rua Major Diogo, que sofre uma reforma para abrigá-la, permanece lá até sua morte em 1961, aos 74 anos, por insuficiência cardíaca.

A casa onde morou, no bairro do Bixiga, se tornou símbolo das lendas urbanas paulistanas, pois está aberta para visitação gratuita. O ar medonho do local atrai pessoas de todos os cantos. Há boatos de que ainda é possível ouvir os gritos da menina assustada e que, frequentemente, ela aparece em uma das poucas janelas se você for para procurá-la a noite.

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Família reunida antes da morte dos parentes de Dona Yaya

 

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Redação SP City
Um projeto que tem a cara de São Paulo :)

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