CULTURACURIOSIDADES

Por que o nome Largo da Batata?

Foto de destaque: Mercado dos Caipiras no início do século XX - Raul Goldschmidt da coleção Jurandyr Goldschmidt. Reprodução protegida no artigo 28 da Lei 9.610/98

O espaço é conhecido informalmente como Largo da Batata desde o início do século XX. Porém, somente em 2012 esse nome foi oficializado, quando pouco se lembrava das razões para ser chamado como tal. Afinal, por que o nome Largo da Batata?

O nome Largo da Batata remete à memória pouco difundida desse lugar que, em sua configuração atual, quase nada revela de sua história. Assim como o comércio e os transportes, os alimentos são parte importante das funções históricas do coração de Pinheiros. 

Até o século XX, o bairro servia basicamente como passagem. E a partir de então, foi atribuída a característica de núcleo para comercialização de produtos agrícolas, como foco no futuro largo. Os produtores vinham de lugares como Cotia, Piedade, Itapecerica, Carapicuíba para comercializar seus produtos e o largo configurava uma conexão com o cinturão agrícola na atual região da Raposo Tavares.

O Mercado dos Caipiras e a Cooperativa Agrícola de Cotia

Em 1910, foi inaugurado o Mercado dos Caipiras para dar suporte às vendas de alimentos. O mercado representou a fixação dessa nova funcionalidade para o bairro e, nos anos 20, o nome Largo da Batata começou a ser utilizado, informalmente, por conta da comercialização de batatas por imigrantes japoneses. Em 1928, esses mesmos japoneses criaram no largo a Cooperativa Agrícola de Cotia (CAC) e o nome Largo da Batata se fixou.

Iniciava-se, a partir do largo, a urbanização de Pinheiros. Nos anos 70, a criação da Avenida Faria Lima exatamente na área do Mercado dos Caipiras marcou o início da decadência do largo como ponto de comercialização de alimentos. O caráter do largo, então, passou a ser de transportes –  a partir construção do Terminal Rodoviário de Pinheiros – e de comércio.

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Cooperativa Agrícola de Cotia nos anos 1920 (Fonte: www.saopaulo.com.br)

O Mercado Municipal de Pinheiros e a Feira de Produtos Orgânicos

Em 1971, para substituir o Mercado dos Caipiras, foi inaugurado o Mercado Municipal de Pinheiros, projetado pelos arquitetos Eurico Prado Lopes e Luiz Telles, existente até hoje. Com o fechamento da CAC em 1994, restou somente esse mercado como a única pequena referência desse período que foi essencial para a fixação do largo como centralidade.

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Mercado Municipal de Pinheiros (Foto: Camila Cavalheiro, 2015)

Por estar escondido entre os tapumes do terreno da antiga CAC – entre a Av. Faria Lima e a Rua Teodoro Sampaio – e as paradas de ônibus da EMTU, o Mercado de Pinheiros é pouco conhecido e raramente associado ao Largo da Batata. É dificultada, portanto, sua finalidade de perpetuar a memória do Largo como entreposto de produtos agrícolas. Em 2015, foi iniciada uma nova revitalização do mercado que poderá trazer novamente mais visibilidade para a presença da distribuição e comercialização de alimentos no local.

O nome Largo da Batata foi oficializado somente em 2012, quase um século depois, quando pouco se lembrava das razões para ser chamado como tal. Desde 2014, como parte do movimento social de reapropriação do espaço público liderado pelo coletivo A Batata Precisa de Você, uma novidade apareceu para retomar o uso do Largo da Batata como local de venda de alimentos. Foi criada a ainda pequena feira semanal de produtos orgânicos que, assim como o mercado municipal, remete à antiga funcionalidade local e, ademais, atribui sentido novamente ao nome Largo da Batata.

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Feira de Produtos Orgânicos no Largo da Batata (Foto: Camila Cavalheiro, 2015)

 

Foto de destaque: Mercado dos Caipiras no início do século XX – Raul Goldschmidt da coleção Jurandyr Goldschmidt. Reprodução proibida e protegida no artigo 28 da Lei 9.610/98

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Camila Cavalheiro
Arquiteta urbanista com um amor especial por São Paulo, Rotterdam e Quito! Acredito que o espaço mais inspirador e democrático da cidade são as ruas, onde vemos desde a mais criativa arte urbana até as mais impactantes manifestações sociais. Gosto de caminhar e descobrir as sutilezas urbanas! E pretendo dividir essas descobertas aqui. Afinal, a cidade é de todos, vamos aproveitar!

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