RAPIDINHAS

Série Avenida Paulista: Feliz 2017!

Neste 1º de janeiro de 2017, comemorando o Ano Novo, a Série Avenida Paulista apresentará o futuro e, claro, com uma pitadinha do passado da avenida.

2017 será um ano importantíssimo para consolidar a Avenida Paulista como o maior eixo cultural e artístico paulistano.

Para se juntar ao MASP, a Casa das Rosas, ao Itau Cultural, ao Centro Cultural FIESP, teremos o surgimento de três novos centros culturais localizados nos extremos da Avenida: a Japan House e o novo Sesc Paulista, no lado Paraíso, e o Instituto Moreira Salles Paulista, no lado Consolação.

Com objetivo de ampliar a oferta de exposições, cinemas, teatros, bibliotecas e restaurantes para a população, os centros culturais são todos com projetos arquitetônicos arrojados em construções verticais modernas e diferenciadas. Veja uma pitada sobre o projeto de cada um deles.

Sesc Paulista

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Com projeto do escritório Königsberger Vannucchi e investimento de R$ 100 milhões, o edifício que está em reforma desde 2010, receberá em seus 15.807 m² em 16 andares, a nova unidade do Sesc, com salas de espetáculos, oficinas culturais e espaço para exposições com foco em arte, corpo e tecnologia, além de espaço para leitura e uma área para alimentação na cobertura.

O centro cultural ocupa o local onde foi construída o palacete de Mario Dias Castro, irmão de Ernesto Dias Castro, o primeiro proprietário da Casa das Rosas. A história desse casarão já foi apresentada pela Série Avenida Paulista e pode ser lida aqui.

Japan House

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A iniciativa é do Ministério das Relações Exteriores do Japão de construir a Japan House, em várias cidades do mundo, com intuito de disseminar a imagem do Japão contemporâneo, com foco em cultura, tecnologia e negócios.

Também com investimento de R$ 100 milhões e projeto do arquiteto japonês de Kengo Kuma e FGMF Arquitetos, a primeira unidade será lançada em São Paulo, cidade de maior concentração da imigração japonesa do planeta. O espaço de 2.500 m² terá exposições, palestras, performances e eventos, além de biblioteca e restaurante-café nipônico.

No início do século passado, esse local abrigava uma casa que, provavelmente, era alugada por seu proprietário, pois foi ocupado por várias famílias ao longo das primeiras décadas do século passado.

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A primeira notícia, de 1914, localizada sobre o local é uma intimação da Prefeitura Municipal para o Sr. Heitor de Lima, proprietário da cocheira lá existente, para que se proceda a demolição da mesma, que, segundo a Prefeitura, está em “péssimas condições higiênicas”.

Já em 1917, uma casa aparece em nome da família H. Bullau e, depois de 3 anos, em 1920, a casa está em nome da família Matheu Bei Favilla Lombardi e, em 1930, de João Sayeg.

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Intervenção de grafiteiros que desenharam bambus nos tapumes da construção do Japan House

Instituto Moreira Salles Paulista

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O projeto de Andrade Morettin Arquitetos foi o vencedor de um concurso realizado pelo instituto, para projetar o Centro cultural do Instituto Moreira Salles São Paulo, que será inaugurado no segundo semestre de 2017 na Avenida Paulista, 2424.

Com investimento de R$ 80 milhões, o edifício conta com área de 6.082 m² distribuídos em sete andares, todos com pé direito duplo, que abrigarão uma biblioteca especializada em fotografia (com 10 mil itens), uma livraria e um café-restaurante e áreas onde serão realizadas exposições, aulas e oficinas.

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No local, nos anos 1900, verificamos que o endereço foi residência de três famílias. De 1917 a 1920 e poucos, Oscar Rodrigues Alves constava como morador da casa e, em 1927, era a família de J. B. Mello Peixoto e, em 1930, a de Leonor Lisboa Caldas, indicando que também essa deva ter sido uma casa para aluguel.

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O Presidente Rodrigues Alves e seus quatro de seus filhos. Oscar, à esquerda, em pé.

Oscar Rodrigues Alves talvez tenha sido o mais reconhecido morador na época. Era filho de Francisco de Paula Rodrigues Alves, o 5º Presidente do Brasil e Ana Guilhermina de Oliveira Borges.

Além de médico e político, Oscar foi presidente da Fábrica de Fiação e Tecelagem Pirassununga e diretor-superintendente da Companhia Agrícola Rodrigues Alves. Foi ainda presidente do conselho regional do Senai – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial e diretor da FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

Depois de ser a avenida da elite paulista, dos imigrantes aos barões do café, passou a ser uma avenida comercial e de serviço e, depois, foi até recentemente a principal avenida do setor financeiro do país. Na última década, sua vocação foi se transformando e, vai romper o ano, como a Avenida da Cultura Paulistana.

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Avenida Paulista em quatro momentos de sua história.

Lorenzo Mammì, coordenador-chefe de programação do IMS Paulista, disse à Folha de SP que “a avenida está virando um corredor não só de cultura, mas também de práticas sociais”. Consagrando essas práticas, os projetos do IMS e da Japan House, apresentam o andar térreo dos edifícios com praças contíguas à calçada, incentivam a convivência social.

Como disse Flávio Pinheiro, superintendente-executivo do Instituo Moreira Salles, ao mesmo jornal, “a Paulista já vinha se desenhando como o grande eixo cultural de São Paulo. A presença desses três edifícios consolida isso”.

Nossa homenagem a esses primeiros habitantes da Avenida Paulista e nossa celebração para os novos centros culturais que serão inaugurados no decorrer do próximo ano.
E que venha 2017 com muitas novidades culturais e artísticas para nossa cidade, transformando a Paulista, cada vez mais, na avenida para todos os paulistanos, de nascença e de coração.

 

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Luciana Cotrim
the authorLuciana Cotrim
Paulistana até a alma, nasceu no Hospital Matarazzo, no coração de São Paulo. Passou parte da vida entre as festas da igreja Nossa Senhora Achiropita, os desfiles da Escola de Samba Vai-Vai e as baladas da 13 de maio no bairro da Bela Vista, para os mais íntimos, o Bixiga. Estudou no Sumaré, trabalhou na Berrini e hoje mora em Moema. Gosta de explorar a história e atualidades de São Paulo e escreveu um livro chamado “Ponte Estaiada – construção de sentidos para São Paulo” resultado de seu mestrado em Comunicação e Semiótica na PUC. É consultora em planejamento de comunicação e professora de pós-graduação no Senac.

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