Série Avenida Paulista: do palacete de Mario Dias Castro ao Sesc Paulista

Série Avenida Paulista: do palacete de Mario Dias Castro ao Sesc Paulista

A Série Avenida Paulista apresenta, nesta semana, a mansão de Mario Dias de Castro, que se localizada no 182 da numeração antiga, que é a esquina com a Rua Leôncio de Carvalho, próxima à Praça Oswaldo Cruz.

O projeto, que data de 1913, foi de autoria do Escritório de Ramos de Azevedo.

Mas antes de entrarmos nessa história, descobrimos que antes da construção havia outra casa que pertencia ao Sr. Luiz de Anhaia Mello que era engenheiro e foi o fundador da Escola Pollythécnica, hoje a Universidade de Engenharia da USP – a Poli.  Sua casa foi umas das primeiras mansões na Avenida Paulista. Há um registro do número de telefone da residência que data de agosto de 1899, outro de seu falecimento em 1903 e, mais uma notícia do casamento de sua filha, em 1908, em que a recepção aconteceu na casa. Ele também teve um filho com o seu nome Luiz Ignácio Romeiro de Anhaia Mello, um dos fundadores da FAU, que dá nome à avenida conhecida de São Paulo

O Sr. Luiz de Anhaia Mello era amigo de Ramos de Azevedo, e depois de alguns anos de sua morte, seu filho deve ter negociado com o arquiteto o imóvel da Avenida Paulista.

Na história que se segue saberemos o motivo. Como dissemos, o projeto da casa de Mario Dias Castro, de 1913, foi de autoria do Escritório de Ramos de Azevedo.

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O Sr. Mario Dias de Castro mantinha uma relação profissional e pessoal como arquiteto. Em 1903 foi fundada a empresa E. P. Bueno & Cia, sediada em Santos, de propriedade de Francisco Ramos de Azevedo, constando como sócios-solidários os irmãos Mário e Ernesto Dias de Castro.

A empresa importa diversos produtos para construção de edifícios, como ferragens, tintas, vigas de ferro, cerâmica, artigos sanitários, aparelhos para gás e eletricidade, tubos para água, óleos, cimento, madeiras, etc. Em sua instalação possuía uma serraria onde eram trabalhados, por mês, de 800 a 1.000 metros cúbicos de madeiras de lei e pinho nacional.

Além da sociedade, Ernesto era casado com a filha de Ramos de Azevedo, portanto ela era cunhada de Mario Dias de Castro, ensejando assim laços pessoais entre ele e Ramos de Azevedo.

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O casal Mario Dias Castro e Alice Maciel Barbosa, nos jardins da Casa da Avenida Paulista.

Mario Dias de Castro era filho de Pedro Dias de Castro e Elibia Antunes Maciel, nasceu no Rio Grande do Sul, onde trabalhou na empresa João Aydos & Cia. Veio para São Paulo e entrou para a sociedade com o irmão em 1909. Sua esposa chamava-se Alice Maciel Barbosa e seus filhos Izabel e Carlos Eugenio Dias de Castro.

O Sr. José Adolpho, nosso leitor e descendente da família, gentilmente, cedeu a foto do casal Dias de Castro, nos contou alguns fatos sobre a família. Nossos agradecimentos a ele. José Adolpho explica que

“A esposa do tio Mario Dias Castro chamava-se Alice Maciel Barbosa, eles tiveram 5 filhos. A tia Célia, que era casada com Orlando Ferreira da Rosa e tiveram o filho Antônio; a tia Maria, que não se casou; Carlos que era pai do Carlos Alfredo; Lourdes que faleceu cedo e Izabel, quer permaneceu solteira. A esposa de tio Mário era Alice, que faleceu moça.

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Izabel Dias de Castro

Deles todos, eu convivi mais com Izabel Dias de Castro, que começou a trabalhar no Banco Mercantil de São Paulo, já com alguma idade, pois a inflação havia engolido sua herança”.

Vamos conhecer um pouco mais sobre a linda casa de Mario Dias de Castro na Avenida Paulista. Segundo o livro de Benedito Lima de Toledo, a residência na Avenida Paulista seguia “os cânones do academismo. O corpo central é dominado por um pórtico com todo o requinte formal”. Na lateral, escadas de mármore em geometria nos desenhos na parede e corrimão.

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O autor descreve a casa de forma admirável, diz que

Internamente, aparece um surpreendente jardim de inverno de inspiração mourisca, arco de ferradura nas aberturas, arabescos nos vitrais, forração de azulejo igualmente com arabescos. Mobiliário de vime. O academismo, afinal, encontrava formas de convívio com a poesia e, mais uma vez, o jardim de inverno foi o local escolhido.

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Detalhes dos mobiliários da copa – armário de cristal, mês e cadeiras de linhas mais retas e modernas.

Segundo notícias de jornais da época, Mario Dias Castro eram uma figura conhecida da sociedade, presente em celebrações e festas, bem como nos cortejos fúnebres. Foi sócio do Clube Paulistano, conhecido reduto da elite paulistana. Era muitas vezes chamado para compor o Tribunal do Júri em julgamentos de crimes.

José Adolpho conta  mais sobre sobre o tio:

Tio Mário foi diretor/ presidente da Siderúrgica Belgo Mineira desde sua fundação. Por essa ligação com a Bélgica ele recebeu as mais altas condecorações da Bélgica, da Holanda e de Luxemburgo.

E sobre o destino da casa da Paulista, ele ainda conta que

O terreno foi vendido por Isabel – filha de Mario Dias de Castro – para o SESC, que colocou o nome de tio Mário no prédio construído, pois ele havia sido um dos seus fundadores da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que deu origem ao SESC e ao SENAC.  Mais tarde mudaram o nome do prédio para José Papa Júnior, um de seus melhores presidentes.

O endereço com numeração atual do Edifício José Papa Junior é na Av. Paulista, 119.

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Foto: Rafael RC

O prédio teve projeto arquitetônico de Sergio Pileggi, José Luiz Almeida e Euclides Oliveira, construído em 1977 pela SOBLOCO Construtora, é composto por 2 subsolo, térreo e 15 andares, com escritórios acima de 400 metros.

O Prédio de propriedade do SESC teve autorização para funcionar em 24 de julho de 1978, primeiramente com a ocupação para escritórios, sendo utilizado o mezanino e primeiro andar. Abrigou a administração central do SESC São Paulo e da Federação do Comércio do Estado de São Paulo durante muitos anos.

Desde 2003 teve autorização para o uso do imóvel como especifico de lazer e cultura, transformando o edifício em uma unidade aberta ao público, mas que está em reforma desde 2010. Será o Sesc Paulista, com previsão de inauguração no segundo semestre deste ano.

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Foto: Staffa

Com investimento de R$ 100 milhões, o projeto de retrofit é de autoria Konigsberger e Vannucchi e, atualmente, a construção está a cargo da Omar Maksoud Engenharia.

Segundo o Sesc, a unidade é descrita como “Arte, corpo e tecnologia ocuparão as novas instalações”. O prédio deverá incluir um grande auditório com 200 lugares; mini-auditório com 90 lugares; 2 espaços para apresentações cênicas; salas de atividades corporais; centro odontológico de referência; centro audiovisual para pesquisa; sala de tecnologia e Internet; área para exposições; oficinas; convivência; observatório; espaço infantil; bistrô; cafeteria e loja Sesc.

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Para o jornal a Folha de São Paulo, Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc São Paulo diz:  “Queremos promover a animação deste espaço, respeitando seus usos atuais, para o lazer e a contemplação da população”. E complementa “”Vamos propor a formação de um grupo ou uma rede de entidades da Paulista para que possamos defender os interesses não imobiliários nem financeiros nem de gentrificação, mas da cultura como peça de melhoria e transformação da cidade”.

O projeto tem como proposta transformar a quadra da Rua Leôncio de Carvalho, entre a Avenida Paulista e Alameda Santos, em uma praça/boulevard, integrando espacialmente a unidade e o Itaú Cultural, além de outros edifícios do local.

Será uma iniciativa muito boa. Estamos aguardando (…e faz tempo!!!) mais esse local de cultura e lazer na nossa Avenida Paulista. Enquanto isso, no primeiro semestre de 2017, nos divertíamos com os cartazes que foram colados nos tapumes da construção do edifício.

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Foto Manay Deô

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Foto: Eduardo D.

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Foto: El surfista

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Foto: Gabriella F

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Foto: Juliana F.

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Foto: Sandro M.

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Foto: Filomena P.

A  foto de minha autoria é em homenagem ao Rei Pelé o inesquecível David Bowie. Até a próxima semana.

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Paulistana até a alma, nasceu no Hospital Matarazzo, no coração de São Paulo. Passou parte da vida entre as festas da igreja Nossa Senhora Achiropita, os desfiles da Escola de Samba Vai-Vai e as baladas da 13 de maio no bairro da Bela Vista, para os mais íntimos, o Bixiga. Estudou no Sumaré, trabalhou na Berrini e hoje mora em Moema. Gosta de explorar a história e atualidades de São Paulo e escreveu um livro chamado “Ponte Estaiada – construção de sentidos para São Paulo” resultado de seu mestrado em Comunicação e Semiótica na PUC. É consultora em planejamento de comunicação e professora de pós-graduação no Senac.
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