CURIOSIDADESSP ANTIGO & MODERNO

Série Avenida Paulista: Figueiredo, Glismanis ou Paulista 1100

No número 1.106 da Avenida Paulista encontrava-se a residência de José Borges de Figueiredo, um grande investidor do início do século passado.  Para que a Avenida Paulista pudesse ser construída e inaugurada em 1891, o português Figueiredo auxiliou na aquisição de chácaras e sítios da região. Ele foi um dos sócios do engenheiro Joaquim Eugênio de Lima, que idealizou e realizou a obra da avenida.

Depois da Paulista ser inaugurada, em 1897, ele ergueu em um dos lotes da avenida o casarão que seria sua residência. O projeto era dos arquitetos Augusto Fried e Carlos Ekman, responsáveis por vários edifícios antigos de São Paulo. O primeiro, também foi arquiteto do palacete da Paulista pertecente ao dinamarquês Adam Ditrik von Bülow, o qual já contamos a história em um dos primeiros posts da Série Avenida Paulista.

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Residência de José Borges de Figueiredo na Avenida Paulista 1106

Como investidor nato, José Borges de Figueiredo, também foi um dos fundadores do Banco de São Paulo, ­ instituição financeira que em 1973 foi vendida para o Banespa – Banco do Estado de São Paulo que, por sua vez, foi privatizado e vendido para o Banco Santander.

O prédio que foi a antiga sede do banco fica localizado na Praça Antonio Prado, no centro da cidade. Projetado em 1935 pelo arquiteto Álvaro de Arruda Botelho e concluído em 1938, trata-se de um dos exemplares mais representativos da linguagem art déco na arquitetura paulistana. Todos os mais atentos conhecem sua beleza, imponência e sofisticação.

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Edifício Banco de São Paulo em estilo art-déco. Foto: Bugleader
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Edifício Banco de São Paulo em estilo art-déco. Foto: Bugleader

O edifício possui dois blocos distintos e interligados, o mais requintado, que está de frente para a praça, possui 18 pavimentos e se destaca pelo emprego de materiais nobres e pelo refinamento artístico dos seus elementos decorativos como pisos, vitrais e luminárias. Atualmente, o edifício é sede da Secretaria de Estado da Juventude, Esportes e Lazer.

Uma curiosidade sobre José Borges de Figueiredo é que ele foi proprietário de um Rolls Royce Silver Ghost Alpine Eagle, de 1921, que ficou conhecido como o Fantasma de Prata. O carro foi comprado na Inglaterra e sua carroceria encomendada ao Carrozieri Frances Galle e foi montado em São Paulo.

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Rolls Royce Silver Ghost Alpine Eagle. Foto: blog João Simonetti

Se o casarão da Avenida Paulista foi destruído, ao menos o Rolls Royce a sede do banco que ele fundou não correm risco de desaparecer, ­ já que o imóvel foi tombado pelos órgãos de proteção ao patrimônio e o carro pertence a um colecionador. Mais uma lembrança do investidor é a Rua Borges de Figueiredo, na Mooca, que leva seu nome.

Apesar do número ser 1106 da Avenida Paulista, lá se encontra o Edifício Paulista 1100, como atualmente é chamado. Sua identificação foi difícil pois o nome original do prédio é Elijas Glismanis. Talvez pelo nome complicado, ele tenha recebido o apelido, ou melhor, desconfio que o nome foi mudado quando foi realizado o retrofit nele.

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Edifício Paulista 1100 que fica na Avenida Paulista 1106

Segundo a Coltro Ferrari Arquitetura e Design, responsável pela revitalização do imóvel, “o edifício Elijas Glismanis localizado na Avenida Paulista, passou por um Retrofit deixando de ser um prédio obsoleto, tornando-se um novo marco para São Paulo. Com uma reformulação total da recepção, loja comercial, nos pavimentos dos escritórios e principalmente na fachada, substituindo a antiga caixilharia por fechamento em pele de vidro, ACM e painéis pré-moldados”. (Prédio obsoleto e marco para São Paulo é um pouco de exagero, não é mesmo? Isso é marketing.)

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Edifício Paulista 1100 Foto: Coltro Ferrari Arquitetura e Design

No sétimo andar do prédio encontra-se mais uma faculdade, a terceira identificada na Avenida Paulista nesta série de textos. A FIAP – Faculdade de Informática e Administração Paulista tem lá o Campus FIAP Paulista, onde são oferecidos os programas de MBA da instituição. O local conta também com um anfiteatro e um coworking space.

Outra escola que tem escritório lá é a Englishtown, que se autodenomina como “a maior escola de inglês online do mundo”, tendo “ajudado mais de 500 mil alunos no Brasil a falar inglês”.

Em maio de 2010, foi inaugurada a primeira loja de rua da Renner, numa área de 3,2 mil metros no térreo do edifício. Neste mesmo ano, a loja foi autuada e multada por falta de licença de funcionamento. Desde então, outras notificações e multas foram emitidas para a empresa, mas a atividade não foi regularizada e, por isso, em maio de 2014, a loja foi interditada pela Prefeitura. Afehhh!!! Lojas Renner…. Isso também é Avenida Paulista.

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Fachada da Loja Renner no térreo do edifício. Foto: CHZ Comercial

Qual será a próxima descoberta desta maravilhosa avenida?  Fiquem com essa imagem solar de uma avenida que também é futurista. E convido a todos a seguir os próximos posts, todos os domingos.

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Edifício Paulista 1100. Foto: Marcos Souza Genuino

 

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Luciana Cotrim
the authorLuciana Cotrim
Paulistana até a alma, nasceu no Hospital Matarazzo, no coração de São Paulo. Passou parte da vida entre as festas da igreja Nossa Senhora Achiropita, os desfiles da Escola de Samba Vai-Vai e as baladas da 13 de maio no bairro da Bela Vista, para os mais íntimos, o Bixiga. Estudou no Sumaré, trabalhou na Berrini e hoje mora em Moema. Gosta de explorar a história e atualidades de São Paulo e escreveu um livro chamado “Ponte Estaiada – construção de sentidos para São Paulo” resultado de seu mestrado em Comunicação e Semiótica na PUC. É consultora em planejamento de comunicação e professora de pós-graduação no Senac.

8 Comentários

  • Não gosto dessas fotos, me fazem doer o coração. A Europa saiu das guerras destruida, se modernizou sem destruir e o que foi destruido se restaurou. Nós não temos respeito pelo passado, acabamos com tudo, quase nada resta do nosso clássico passado. Muito triste mesmo

    • Marcelo, concordo totalmente com você, com uma única exceção: as fotos são o que nos resta de nosso passado. Precisamos, pelo menos, divulgá-lo por meio das fotos, para que as próximas gerações possam conhecer e respeitar o patrimônio e a história da cidade. Quem sabe, no futuro, isso não mudará….

    • Eu sei Luciana. Eu sou o guardião da memória fotográfica da minha família e da família do meu parceiro. As fotografias são o q resta, são a memória viva de nossos antepassados. Mas falando em arquitetura, última vez q estive no Rio, andei muito à pé pelo centro e ainda há edifícios lindos, maravilhosos, assim como na minha querida São Paulo e há que conservá-los para as novas gerações e educá-los como vc disse e principalmente contar com governos responsáveis e q dêem valor ao patrimônio arquitetônico nacional

  • Marcelo, concordo totalmente com você, com uma única exceção: as fotos são o que nos resta de nosso passado. Precisamos, pelo menos, divulgá-lo por meio das fotos, para que as próximas gerações possam conhecer e respeitar o patrimônio e a história da cidade. Quem sabe, no futuro, isso não mudará….

  • Também ficaria feliz se tivéssemos uma cultura de preservação da história que convivendo em harmonia com a modernidade.

  • Fiquei curiosa em saber o por quê do apelido do carro de Borges Figueiredo e fui na internet para ver o além da tradução literal de Fantasma de Prata para o Rolls-Royce Silver Ghost. Acho que podia completar a sua história. Então, aqui vai como curiosidade… Silver Ghost foi um modelo e um carro único e específico de 40/50 cv criado em 1907 e depois produzido em escala. Virou ícone da marca. Veja como foi isso na história contada no site da Rolls-Royce: “A genius at publicity, Claude Johnson was so integral to the success of the company that he became known as ‘the hyphen in Rolls‑Royce’. One of Johnson’s early adverts for the 40/50hp motor car promoted it as: ‘The six-cylinder Rolls‑Royce – not one of the best, but the Best Car in the World.’ In that moment, he had introduced the phrase that would forever be associated with Rolls‑Royce.” O melhor carro do mundo foi extinto em 1925 e substituído pelo New Phanton, depois conhecido como Fantasma I. Para a escolha do nome eu não achei uma explicação, mas minha imaginação sim! Rápido, com autonomia para longas distâncias e corpo reluzente e prateado… eu vi um fantasma de prata.

  • Toda informação legitima enriquece, mesmo que essas construções infelizmente não existam mais.

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