Mercado Municipal é uma ova #2

Mercado Municipal é uma ova #2

Entrar na zona cerealista é como cruzar um portal, nesta região se instalaram os entrepostos comerciais que abasteciam o mercado municipal de São Paulo, e aos poucos um comercio paralelo foi nascendo. A região começou a ser ocupada por comerciantes muito cedo, mas nos 30 com a inauguração do prédio do mercado é que de fato a vocação da região se consolidou. A arquitetura dos prédios, muitos bem mal cuidados é um espetáculo a parte são sobradinhos e pequenos prédios bem decorativos e geminados típicos de uma época onde os comerciantes tinham suas lojas no térreo e moravam nos demais andares. Os grandes galpões moinhos e cilos alguns abandonados lembram quão perto das linhas de trem estamos, e um vai e vem de carregadores de mercadorias com seus carrinhos de madeira dão um ar de volta ao século XIX.

Seguindo a caminhada de volta ao centro esta a Rua Polignano A. Mare com a Paróquia de São Vito Mártir, e onde ocorre a festa de São Vito, embora muito tradicional no centro, talvez seja a menos badalada das festas de Rua da cidade. Na frente do Mercado Municipal da Cantareira, está outro mercado também municipal, dessas coisas que acontecem em São Paulo, se trata do Mercado Kinjo Yamato datado de 1936, e especializado em Horti-fruti, tem sua estrutura toda em ferro forjado vinda da escócia, e recebeu seu nome em homenagem ao primeiro imigrante japonês a receber um titulo superior no país, com o titulo de odontologia. O mercado tem uma característica muito curiosa é um mercado noturno, funciona de segunda a sábado das 24:00 as 15:00 e vale a pena passar por la na madrugada.

Do outro lado da rua está o famoso Mercadão, seu prédio data de 1932, embora tenha sido inaugurado somente 1933, construído pelo escritório de arquitetura de Ramos de Azevedo, é um símbolo da cidade, mas o que mais me faz gostar do mercado é o curioso e redundante fato de que este ainda seja um mercado, embora muitas cidades tenham prédios bem conservados de seus mercados poucos ainda mantém a função original para qual foram criados. O mercadão abre suas portas de madrugada mais precisamente as 2:30 para feirantes e atacadistas, e as 6:00 para o público em geral, fecha para limpeza e manutenção as 18:00, vale a pena ir na madrugada conversar com os lojistas que ao contrario do que se imagina estão bem acordados e bem humorados. Durante o dia o mercado é um entra e sai de pessoas clientes e compradores curiosos e turistas suas barracas tem de tudo a todo preço. Se perguntar e for de comer vai encontrar, se não tiver eles trazem, encomendam ou reservam, mas não perdem um cliente jamais. Aos sábados é a prova viva que o paulistano ama duas coisas comer e ficar em fila, ou ficar em fila e comer, e não importa o horário sempre está lotado.

Mas o passeio não fica por aqui saindo de mercadão a poucos metros pela Rua Carlos Souza Nazaré está uma loja que diz a que veio o Rei da Cutelaria, ali tem de tudo para quem gosta ou trabalha com facas canivetes e até algumas espadas vale a visita. Ficou com fome entra na Rua Comendador Afonso Kherlakian, e pouco depois da Rua Barão de Duprat está o Empório Akkar com suas maravilhas do oriente médio, onde as diferentes comunidades Sirio-Libanesa, Armenia, e Palestina

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Foto: Unalucciola

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Foto: Eduardo Paraíso

compram suas guloseimas os doces típicos são uma tentação a parte impossível comer um só. Uma curiosidade é que os doces tidos como os melhores do Brasil, são fabricados em São Paulo em um bairro da Zona Leste, e o dono da fabrica é um imigrante nordestino que veio para a capital em 1970, aprendeu o oficio e hoje contrata conterrâneos, e ensina os segredos da culinária árabe.

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Formado em panificação e confeitaria, trabalhei como confeiteiro em navios de cruzeiro por 4 anos. Conheci o mundo e vi que o mundo está em São Paulo. Voltei a capital, fiz uma pós em gestão de de negócios da gastronomia e atualmente concluo a pós em gestão de pessoas. Sou apaixonado pela cidade e tudo o que ela oferece.

Fabrizio também é dono da página Gastronomia do seu jeito.

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