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Série Avenida Paulista: da casa de Claudio Monteiro Soares ao Torre Paulista

Na Série Avenida Paulista desta semana contaremos a história da casa 118, que pertenceu a algumas famílias e, passou anos, sendo propriedade da família Monteiro Soares e, atualmente, o terreno é ocupado pelo Edifício Torre Paulista.

O primeiro registro que temos desta casa data de junho de 1916, quando o Sr. Austin de Almeida Nobre recebe autorização da prefeitura para construir a casa e, em 1917, seu nome já aparece incluso na lista telefônica da época.

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Em 1920, na lista aparece o nome de Giuseppe Martinelli, o mesmo que construiu o famoso Edifício Martinelli, no centro da cidade.

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Casa de Claudio Monteiro Soares na Avenida Paulista.

Em 1927, na mesma lista telefônica, aparece como proprietário o Sr. Claudio Monteiro Soares. Sua família morou por muitos anos na casa. Então, vamos à sua história!

Claudio Monteiro Soares era filho de Antônio Monteiro Soares e de D. Presciliana dos Santos Soares. Em junho de 1906 casou-se com Zenobia Alvarenga Monteiro Soares e, com ela, teve os filhos Zelinda, Helena e Claudio Jr.

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A única imagem que conseguimos da família é esta do corso na Avenida Paulista. Alguém saberia dizer qual o carro deles?

No final da década de 1890, o empresário já mantinha uma charutaria chamada Selecta, no Largo do Rosário, no centro da cidade. Por muitos anos, publicou anúncios de jornal divulgando o comércio.

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Lançou uma marca, Aspasia, para cigarros de papel que comercializou em seu estabelecimento. Ficou famoso por confeccionar cigarros de palha com as iniciais do cliente. Neste período chegou a ser vice-presidente da Sociedade Humanitária dos Empregados do Comércio de São Paulo.

Pouco tempo depois, Claudio Monteiro Soares, começa a aparecer em notícias relacionadas às aquisições de terrenos, prédios e construções na cidade.

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Edifício na Praça do Patriarca esquina com Rua São Bento, que foi projetado para a Condessa Alvares Penteado, Armando Alvares Penteado e Cláudio Monteiro Soares. Data da segunda metade da década de 1920. O bloco da condessa, atualmente pertencente à FAAP e passou a ser denominado Edifício Lutetia. Acervo: Coleção Escritório Técnico Ramos de Azevedo – Biblioteca da FAU-USP

Pouco tempo depois, Claudio Monteiro Soares, começa a aparecer em notícias relacionadas às aquisições de terrenos e prédios na cidade. Permaneceu por muitos anos no ramo imobiliário, como um grande investidor imobiliário, que adquiriu muitos terrenos e casas em todas as regiões da cidade, como podemos ver nas várias notícias do jornal Correio Paulistano, na imagem abaixo.

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Comprou muitos lotes de terra distantes do centro da cidade, como a Vila Carrão e, desses seus terrenos, foi construído o bairro da Vila Zelina, que foi batizado para fazer uma homenagem para a filha de Cláudio e Zenobia.

Até 1927, essa região era chamada de Baixos do Embaúba. Em outubro de 1927, Cláudio Monteiro Soares encarregou Carlos Corkisco, um recém-chegado imigrante russo, a tarefa de lotear e vender terrenos. Esperto e poliglota – fluente em russo, lituano e polonês – Carlos foi até a Hospedaria dos Imigrantes, na Mooca, para convencer compatriotas a habitar o novo bairro.

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A paróquia São José da Vila Zelina, no centro do bairro.

O resultado é que, segundo moradores do bairro, a Vila Zelina concentra a segunda maior colônia lituana do mundo – perdendo apenas para Chicago, nos Estados Unidos.

A paróquia de São José, igreja católica, foi fundada em 1936, construída pelos próprios imigrantes em um terreno doado por Claudio Monteiro Soares Filho, na Praça República Lituana, no centro de Vila Zelina.

A filha Zelina foi casada com o Sr. Firmiano de Morais Pinto Filho, que era filho de Firmiano de Morais Pinto, que foi deputado federal e prefeito de São Paulo, no período de 16 de janeiro de 1920 a 15 de janeiro de 1926. Ele foi casado com Cândida Botelho, filha do Conde e da Condessa do Pinhal.

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Sr. Firmiano de Morais Pinto, que foi prefeito de São Paulo, e o busto em sua homenagem que está na Praça Buenos Aires.

Neste período, Claudio Monteiro Soares fez muitos negócios imobiliários com a prefeitura. No início, vendia terrenos ao município e, anos depois, por força da lei, teve de doar muitas áreas para abertura de ruas.

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Helena Morais Pinto na casa da Avenida Paulista, provavelmente, na década de 1960.

A filha do casal, Helena Morais Pinto, que morou muitos anos na casa da Paulista, conta em um vídeo, que sua bisavó, por parte de pai, era a Condessa do Pinhal e seu avô, por parte de mãe, Claudio Monteiro Soares, era dono do Edifício Martinelli – de quem também comprou a casa.

Ela diz que, naquele tempo, era maravilhoso morar na avenida, como tantas outras famílias da elite paulista.  Sua casa era grande, tinha 30 metros de frente por 100 metros de fundo. A família tinha 8 empregados,  jardineiro, copeiro, cozinheira, ajudante, e um só para lavar o carro. Porém, um dia, isso acabou, junto com a falta de dinheiro, e ela se mudou para um apartamento bem menor, como aconteceu com tantas outras famílias que morava na Paulista. A casa da família foi vendida e demolida para a construção de um edifício.

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Edifício Torre Paulista Foto: Felipe Lange Borges.

No lugar onde se encontrava a casa de Claudio Monteiro Soares foi construído em 1972 o Edifício Torre Paulista. O projeto arquitetônico em estilo contemporâneo é de autoria de Jorge Zalszupin, José Gugliota e José Maria de Moura Pessoa. Por muitos anos o prédio foi sede do banco japonês Sumitomo.

O prédio possui um total de 22 andares, conta com 4 elevadores sociais e um total de 137 vagas de estacionamento. Com padrão corporativo de ocupação, o edifício é sede de empresas dos segmentos Jurídico, Sindicatos, Associações, ONGs entre outros.

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Foto do prédio Torre Paulista na década de 1970 ao lado do Palacete da família Lotaif. Foto: Francisco de Almeida Lopes

Transcrevemos a apresentação, descrita no site “Roteiro Arquitetônico Urbanístico na Avenida Paulista” desenvolvido por Isabelly Minete e Tainã Ruy.

“Edifício considerado um marco arquitetônico da Avenida Paulista, pelo seu formato curvilíneo, diferenciando-o e evidenciando-o em relação aos outros edifícios. Construído na década de 70, é um dos edifícios que caracterizam o período da “arquitetura internacional” na Paulista com a definição de padrões internacionais de arquitetura, representando de fato a presença do capital monopolista, que passa a se instalar na avenida.

O edifício que ocupa a quadra inteira (118m) entre a Av. Paulista e a Al. Santos, em um terreno de largura aproximada de 20 m, possui 28 pavimentos, cujos comprimentos medidos perpendicularmente às ruas variam, diminuindo para cima até terminar em 18 m.

Depois de pronto, os japoneses se encantaram com o design do edifício, que possui a forma de um templo japonês e resolveram comprá-lo. Mudaram o nome e ali.

Bela história, não é mesmo? Então não deixe de acompanhar a Série Avenida Paulista todos os domingos aqui. Até a próxima!

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Luciana Cotrim
the authorLuciana Cotrim
Paulistana até a alma, nasceu no Hospital Matarazzo, no coração de São Paulo. Passou parte da vida entre as festas da igreja Nossa Senhora Achiropita, os desfiles da Escola de Samba Vai-Vai e as baladas da 13 de maio no bairro da Bela Vista, para os mais íntimos, o Bixiga. Estudou no Sumaré, trabalhou na Berrini e hoje mora em Moema. Gosta de explorar a história e atualidades de São Paulo e escreveu um livro chamado “Ponte Estaiada – construção de sentidos para São Paulo” resultado de seu mestrado em Comunicação e Semiótica na PUC. É consultora em planejamento de comunicação e professora de pós-graduação no Senac.

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