Série Avenida Paulista: a história da casa e da família de José Pucci – parte II

Série Avenida Paulista: a história da casa e da família de José Pucci – parte II

Hoje a Série Avenida Paulista continua a narrativa sobre José Pucci. Quem está contando essa história é o bisneto do proprietário: Rodrigo Pucci Müller, a quem, novamente, agradecemos por compartilhar conosco fatos da vida de sua família e da casa da Avenida Paulista.

Quem quiser ler o primeiro texto de Rodrigo, pode acessar aqui neste link e conhecerá a história e fotos da construção casa, que ficava no número 133A da Avenida Paulista, esquina da Rua Carlos Sampaio, onde hoje é o Edifício Louis Pasteur.

Vamos ao texto de Rodrigo:

A casa da Avenida Paulista foi construída por José Pucci, em 1929, onde foi morar com sua esposa Rachel e seus 9 filhos.

jose pucci e sua esposa - Série Avenida Paulista: a história da casa e da família de José Pucci - parte II

José Pucci e sua esposa, D. Ambrosia Rachel Lombardi Pucci,

Na bela foto abaixo, podemos ver José Pucci com a esposa e os 9 filhos em suas Bodas de Prata em 1930. Em pé, da esquerda para a direita: o caçula Marcello, Waldemar, Mário, Nana, Orlando, João, Flávio. Sentados, da esquerda para a direita: Nuce, D. Rachel, José Pucci e Armando.

jose pucci com a esposa e os 9 filhos - Série Avenida Paulista: a história da casa e da família de José Pucci - parte II

Todos os netos que conheceram bem a mansão são unânimes em dizer que a casa era “uma coisa”: enorme, grandiosa, bela. O terreno possuía um tamanho aproximado de 25m X 70m.

A decoração do interior da casa se dava, em sua maioria, por móveis talhados em madeira, e muitos objetos de prata. Os lustres eram de alabastro. O escritório contíguo ao hall maior da entrada, pouquíssimo utilizado por José Pucci, possuía uma grande estante de madeira com portas de vidro.

O salão de visitas contava com um interessante detalhe no teto: medalhões de gesso retratavam figuras históricas, como Molière, por exemplo. O mesmo se dava na sala de música, onde quatro medalhões de gesso retratavam compositores clássicos.

Esta sala de música que se tinha acesso pelo hall maior abrigava o piano de Nuce. Enquanto no porão, outra sala de música continha o piano de Nana.

casa 2 - Série Avenida Paulista: a história da casa e da família de José Pucci - parte II

A casa ainda em construção em 1929.

Ao longo dos anos, alguns cômodos tiveram seus usos originais alterados. Foi o caso do quarto de costura, localizado nos fundos, que se tinha acesso através do hall menor do telefone. Esta saleta passou a ser chamada de sala de música quando lá se instalou uma vitrola. Podia-se adentrar este cômodo, também, pelo lado externo da casa, através de uma pequena escada e um terraço. Era um dos espaços mais frequentados pela família.

Para além dos grandes salões do piso térreo, o porão era a parte da casa mais movimentada.

Todas as quartas-feiras à noite, José Pucci recebia amigos na sala de jogos do porão para jogarem tressette ou escopa.

Havia alguns escritórios no porão, e a sala de música do piano de Nana era mais utilizada do que a grande sala de música do andar térreo.

O porão contava, ainda, com um cômodo conhecido como “quarto das malas”, onde se guardavam todas as grandes malas de viagem, utilizadas em viagens para a Europa.

aspectos da casa - Série Avenida Paulista: a história da casa e da família de José Pucci - parte II

Nas fotos de Nana, mostram-se alguns aspectos da casa. Na primeira imagem, ela está em um dos quartos, em que se pode ver os detalhes em stencil nas paredes. Na segunda, no hall maior, quando fez 18 anos, vê-se a coluna em mármore, detalhe dos vitrais e o lindo desenho do piso e, na terceira foto, ela na escada dos fundos que dava acesso para a sala de costura, que virou sala da vitrola.

Para cuidar da mansão, a criadagem era composta por uma cozinheira, uma copeira (que também fazia a limpeza do andar térreo), duas lavadeiras e passadeiras, e uma arrumadeira. Além do jardineiro, e uma costureira que ia uma vez por semana na casa.

A costureira atendia várias casas da avenida Paulista, uma a cada dia da semana. Havia também o sr Luís, barbeiro, que, por muitos anos, ia com frequência à mansão atender José Pucci no banheiro da ala de seus aposentos.

A copa, a imensa cozinha e a despensa ficavam no andar térreo. Porém, quem se encarregava de fazer as compras de mantimentos era o próprio José Pucci quando ia para a Sé.

Outro dia de reuniões semanais na mansão, além dos jogos de quarta-feira, era o domingo de manhã, quando José Pucci se reunia com os filhos para tomar o vermute.

Conhecido por seu temperamento forte, há um curioso e engraçado episódio no qual, quando um ladrão tentou adentrar a mansão, José Pucci desceu as escadas do piso superior com uma panela de ferro nas mãos, acertou o ladrão na cabeça, surpreendendo-o atrás de uma porta. O meliante foi levado pela polícia.

jose pucci - Série Avenida Paulista: a história da casa e da família de José Pucci - parte II

José Pucci. (31 de outubro de 1875- 17 de setembro de 1973)

Somente três vezes por ano era feito um grande jantar: em 31 de outubro, aniversário de José Pucci, em 19 de março, dia de São José, onomástico do proprietário da casa; e para as festas de natal. Para estas ocasiões, abriam-se os grandes salões do piso térreo. Na sala de jantar, cobria-se a mesa com toalhas de linho. Colocavam-se jogos de louça de porcelana, taças de cristal, e faqueiro de prata sobre a mesa.

Em 11 de setembro de 1935, houve a primeira festa de casamento na mansão. A filha de José Pucci, Nuce, casou-se com o professor Miguel Reale, colega de estudos dela desde os tempos do colégio Dante Alighieri. Desta união nasceram três filhos: Ebe, Lívia Maria e Miguel Reale Júnior.

casamento de nuce pucci e miguel reale - Série Avenida Paulista: a história da casa e da família de José Pucci - parte II

Casamento de Nuce Pucci e Miguel Reale em 1935 no Hall principal da mansão da Avenida Paulista.

Nos primeiros anos de casamento, o prof. Miguel e Nuce continuaram residindo na mansão Pucci, na ala do piso térreo que era reservada como “quarto de hóspedes”. Era um apartamento com quarto, sala e banheiro. Lá ficaram entre 1935 e 1941, quando nasceu a segunda filha, e se mudaram para a Avenida Nove de Julho.

Outra grande recepção foi oferecida por José Pucci na mansão da Paulista em homenagem ao seu genro Miguel quando este venceu o concurso para a cátedra na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Ao longo de sua carreira como professor e jurista, Miguel Reale também ocupou o cargo de reitor da USP por duas vezes.

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Miguel Reale e sua esposa, Nuce, no dia da posse na Academia Brasileira de Letras.

Em 1975, ele foi nomeado membro imortal da Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira número 14. Nos atuais cursos de graduação em Direito, os escritos de Miguel Reale e de sua “Teoria tridimensional do Direito” são leituras fundamentais para os futuros bacharéis.

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Casamento de Nana Pucci e Bernardo Ciambelli em 1944, no Hall principal da mansão da Avenida Paulista.

A segunda festa de casamento oferecida na mansão se deu quase dez anos mais tarde do casamento de Nuce. Em 29 de abril de 1944, a outra filha de José, Nana, uniu-se a Bernardo Ciambelli, médico. Tiveram apenas uma filha: Liliana Ciambelli. Nana se separou em 1949, e voltou a residir com pai na Paulista, junto com sua filha.

nana pucci e a filha liliana ciambelli - Série Avenida Paulista: a história da casa e da família de José Pucci - parte II

Nana Pucci e a filha Liliana Ciambelli no jardim lateral da mansão da avenida Paulista.

Na foto abaixo, Nana, e sua filha Liliana Ciambelli, no dia de sua primeira comunhão, no jardim frontal da mansão da avenida Paulista, em 1954. Ao fundo, a fachada da frente da casa, onde se observam os detalhes da sacada do terraço. Ali, está pregada a placa comemorativa do IV centenário de São Paulo. As pessoas queriam mostrar que estavam comemorando os 400 anos da cidade, e compravam esta placa para colocar na fachada das casas.

liliana ciambelli e a mae nana - Série Avenida Paulista: a história da casa e da família de José Pucci - parte II

Era costume, naquela época, que as festas de casamento fossem oferecidas nas casas da família da noiva. Por este motivo, somente os casamentos de Nuce e Nana foram celebrados na residência dos Pucci. Os demais filhos varões de José Pucci casaram-se nas residências de suas respectivas esposas.

O filho Mário casou-se com D. Alberta Petrella em 1938, na residência dos Petrella, também localizada na Avenida Paulista, no atual número 149, esquina com a rua Leôncio de Carvalho. Atualmente, é o prédio do Itaú Cultural que se encontra no lugar. A família Petrella trabalhava no ramo da seda. O casal Mário e Alberta tiveram dois filhos: Lia e Mário Pucci. Residiram em grande parte de sua vida no Pacaembu.

Mário iniciou seus estudos em Roma, junto dos irmãos Armando e Waldemar, mas só se formou engenheiro no Brasil, na Poli da USP. Mário trabalhou como engenheiro da prefeitura de São Paulo.

A Igreja de Nossa Senhora da Paz, na rua do Glicério, que hoje abriga os refugiados vindos do Haiti, é um de seus trabalhos. Ele manteve amizade com o escultor Galileo Emendabili, com quem trabalhou no projeto estrutural do obelisco do Ibirapuera. Nesta obra, Mário foi o arquiteto responsável pela parte técnica do monumento em homenagem à revolução de 9 julho de 1932. Na fachada da residência de Mário no Pacaembu também havia uma escultura de Emendabili.

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A construção do Obelisco do Ibirapuera foi iniciada em 1947 e sua inauguração ocorreu em 9 de julho de 1955. (Foto: Museu da cidade de São Paulo)

O filho João formou-se como engenheiro químico, e teve uma carreira muito bem consolidada e reconhecida no Instituto de Pesquisas Tecnológicas da USP, onde chegou a ser nomeado diretor do departamento de química. João casou-se com D. Maria Thereza Parello em 1942, na residência dos Parello, na rua Padre João Manoel. Tiveram apenas uma filha: Silvana Pucci.

O filho caçula, Marcello, casou-se com D. Maria Aparecida Wilken, em 1947, na residência da família dela, na Avenida Angélica. O casal não teve filhos. Marcello possuía grande experiência como engenheiro, especializando-se na construção de túneis.

Por ironia do destino, o primogênito de José Pucci, Armando, foi um dos últimos a se casar, em 1948. Ele escolheu por esposa, D. Maria Rita Ippolito, que residia no Pacaembu com suas irmãs solteiras, onde se celebrou o casamento. Tiveram apenas uma filha: Ana Maria Pucci. Residiram por 7 anos na casa dos Ippolito. Depois, mudaram-se para o prédio 171 da Avenida Paulista, ao lado da casa dos Petrella.

humberto primo - Série Avenida Paulista: a história da casa e da família de José Pucci - parte II

Fachada, e ambientes internos do Hospital Humberto Primo.

Armando era médico cirurgião, e trabalhou por décadas no Hospital Humberto I, mais conhecido como Hospital Matarazzo. Ele dirigia uma ala de enfermaria gratuita com vinte leitos, onde atendia a população mais humilde. Vocação que ele mantinha, também, em seu escritório particular na rua Marconi, consultando e doando remédios para quem não tinha condições de pagar. Em decorrência deste cargo no hospital, Armando, junto de outro grupo seleto de médicos, sempre era convidado para os jantares de gala oferecidos pelo conde Matarazzo na avenida Paulista. Ele também foi convidado e compareceu, junta da esposa e da filha, à grande festa de Bodas de Ouro do conde.

Além disso, a condessa oferecia, uma vez por mês, nos jardins da mansão, uma missa beneficente em que se juntavam as senhoras casadas com os médicos do hospital que frequentavam os jantares da casa.

Na década de 1970, Armando foi nomeado diretor do Departamento de Perícias Médicas do Estado de São Paulo.

A esposa de Armando, Maria Rita, era pianista formada pelo Conservatório de Santos. Em seus anos de solteira, ela chegou a realizar algumas apresentações no Theatro Municipal de São Paulo. Foi aluna, desde menina, da pianista D. Antonieta Rudge, que era casada com Menotti del Picchia.

O filho Waldemar e sua esposa, D. Concetta Marina Queirolo tiveram dois filhos: Renato e Mauro Pucci. Residiu grande parte de sua vida com os filhos na Avenida Angélica. Waldemar formou-se médico, junto com Armando, na Itália; porém, tiveram que revalidar seus diplomas no Brasil.

Ele foi um habilidoso médico clínico. Seus sobrinhos se recordam de vezes em que telefonavam para ele, e pela descrição dos sintomas, já receitava de imediato o remédio que sempre surtia efeito prontamente. Ele trabalhou no Serviço Social de Menores. Atendia, também, toda a comunidade italiana. Possuía um consultório no centro da cidade, na rua Marconi, junto com o irmão Armando.

Por fim, o filho Flávio casou-se com D. Pruddy Steward, com quem teve duas meninas: Flávia e Cristine Pucci. Por um tempo, residiram em um apartamento na Avenida Paulista. Com o passar dos anos, Flávio residiu no Edifício Copan. Formado também em engenharia química, Flávio trabalhou exerceu diversas atividades empresariais. Muito otimista, Flávio era a alma alegre da família, que, nas reuniões, sempre tinha inúmeras histórias das viagens que gostava de fazer.

rachel lombardi - Série Avenida Paulista: a história da casa e da família de José Pucci - parte II

Ambrosia Rachel Lombardi Pucci, (08 de fevereiro de 1877 – 10 de julho de 1949)

Em julho de 1949, D. Rachel faleceu vítima de um câncer que se havia descoberto poucos meses antes. O velório foi realizado na mansão, e o enterro, no Cemitério do Araçá, num terreno adquirido por José Pucci em 1942. A parte superior do túmulo só foi construída alguns anos depois, quando a filha Nuce sonhou com a mãe pedindo tal feito. O desenho das pedras do túmulo foi elaborado pelo filho Mário.

Por volta de 1956, a mansão abrigava apenas José Pucci e seu filho Orlando, que se formara como advogado, e trabalhava na Light. Sua filha Nana já vivia com Liliana em outro apartamento. Em 1958, a mansão foi vendida. José Pucci mudou-se para um apartamento junto com o filho solteiro na Alameda Lorena.

A grande parte dos objetos da mansão, prataria, cristais, lustres, porcelanas, foram divididos entre os filhos. Eram objetos originais e únicos, que ajudavam a contar a história da família. Tais como os lustres de alabastro, ou o relógio carrilhão.

velhinhos - Série Avenida Paulista: a história da casa e da família de José Pucci - parte II

Havia, por exemplo, uma coleção de moedas que D. Rachel juntara, e que José Pucci mandara soldar, formando uma bandeja de prata. Ou o caso de duas pequenas estatuetas entalhadas de madeira, nos mínimos detalhes, que José Pucci recebera como pagamento de um serviço prestado, retratando um senhor e uma senhora idosos.

Também passou a ser, nas residências destes respectivos filhos, que se reunia a família para os aniversários de José Pucci em 31 de outubro. Em 1960, comemoraram-se seus 85 anos na residência do filho Mário, no Pacaembu. Em 1965, os 90 anos de José Pucci foram celebrados na residência de Nuce, na Avenida Nove de Julho. E, seu último aniversário, de 97 anos, em 1972, foi realizado na casa de Armando, também no Pacaembu.

aniversario de jose pucci em 1960 - Série Avenida Paulista: a história da casa e da família de José Pucci - parte II

Aniversário de José Pucci em 1960, na residência de seu filho, Mário, no Pacaembu. José Pucci com filhos, noras e netos. Em pé, da esquerda para a direita: Pruddy, Marcello, Nuce, Waldemar, Lia com os pais Alberta e Mário atrás, Mário, Miguel e a irmã Lívia, Aparecida, Flávio e Thereza. José Pucci sentado na poltrona com os netos Ebe, Liliana e Mauro no colo. Agachados ao chão, da esquerda para a direita: Armando, Maria Rita, João, Nana, Silvana, Ana Maria, Renato e Miguel Reale.

aniversario de 90 anos de jose pucci - Série Avenida Paulista: a história da casa e da família de José Pucci - parte II

Aniversário de 90 anos de José Pucci, em 31 de outubro de 1965, na residência de sua filha Nuce e seu genro Miguel Reale, na Avenida Nove de Julho. Em pé, da esquerda para a direita: Aparecida, Antônio Carlos, Lívia, Ebe, Miguel, Silvana, Mário, Lilian, Waldemar, Alberta, Orlando, escondido atrás de Thereza e Armando. Sentados ao nível do sofá, da esquerda para a direita: Marcello, Prudy, Nana, José, Nuce, Mário Edgard e Maria Rita. Atrás de Nana está Miguel e a pequena Flávia. Sentados ao nível do chão, da esquerda para a direita: Flávio, Renato, Mauro, Lia, Ana Maria e João.

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Último aniversário de José Pucci, em 1972, com os bisnetos em seu apartamento na Alameda Lorena. Da esquerda para a direita: Pety com os filhos Mário e Ricardo. José Pucci ao lado dos bisnetos Eduardole, Thaís com Luciana no colo. Lívia com a caçula Beatriz ao colo. E as irmãs Andrea e Adriana. Penteado de vestido xadrez rosa.

Um momento marcante em todos os aniversários era a hora de cantar parabéns, quando José Pucci se inclinava bastante para assoprar as velas do bolo. Sua saúde de ferro permitiu que tal gesto fosse repetido, sem ajuda de ninguém, até os 97 anos.

ultimo aniversario de jose pucci - Série Avenida Paulista: a história da casa e da família de José Pucci - parte II

Último aniversário de José Pucci em 31 de outubro de 1972, na casa de Armando, no Pacaembu. A clássica cena de José Pucci se inclinando para soprar as 97 velas, que foram postas num prato à parte para não encher o bolo de cera.

Sem apresentar qualquer doença que pudesse encurtar sua vida, José Pucci se manteve firme. Quando ia almoçar aos domingos na casa de Armando, havia um lance de meia-dúzia de degraus para adentrar a residência, com o piso liso e sem corrimão. Se alguém tentava ajudá-lo, ou apoiar seu braço, ele bradava: “Lasciami! Io non sono vecchio!” (Me larga, eu não sou velho).

José Pucci faleceu em seu apartamento na Alameda Lorena, em 17 de setembro de 1973, prestes a completar 98 anos de vida, sem nenhuma doença. Nos últimos meses, recusava-se a se alimentar, passando a consumir apenas balas de cevada e cerveja Caracu. Ele deixou um legado de 9 filhos, 12 netos, 20 bisnetos (dos quais ele conhecera menos da metade disso), e, atualmente, 18 trinetos.

O primeiro filho de José Pucci faleceu poucos anos depois do pai, em 1976, e o falecimento dos outros irmãos se estendeu entre fins da década de 1970 e fins da década de 1990. Apenas a filha Nana seguiu a longevidade do pai, atingindo os 96 anos em 2015.

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Um exemplo das 4 gerações da família Pucci reunidas. José Pucci com o filho Mário Edgard Henrique, o neto Mário Pucci, e o bisneto Mário Pucci Filho.

Estes dois artigos da família Pucci foram escritos através dos relatos dos netos mais velhos que melhor conheceram e têm lembrança da mansão, sobretudo, Ebe Reale, Mário Pucci e Liliana Ciambelli. Os relatos e as fotos foram reunidos pelo bisneto mais novo de José Pucci, Rodrigo Pucci Müller, historiador, filho de Milton Müller e Ana Maria Pucci, que era filha de Armando, o primogênito de José Pucci.

Rodrigo Pucci Müller, agradecemos a participação na Série Avenida Paulista. Até o próximo domingo!!!

 

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Paulistana até a alma, nasceu no Hospital Matarazzo, no coração de São Paulo. Passou parte da vida entre as festas da igreja Nossa Senhora Achiropita, os desfiles da Escola de Samba Vai-Vai e as baladas da 13 de maio no bairro da Bela Vista, para os mais íntimos, o Bixiga. Estudou no Sumaré, trabalhou na Berrini e hoje mora em Moema. Gosta de explorar a história e atualidades de São Paulo e escreveu um livro chamado “Ponte Estaiada – construção de sentidos para São Paulo” resultado de seu mestrado em Comunicação e Semiótica na PUC. É consultora em planejamento de comunicação e professora de pós-graduação no Senac.

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