Série Avenida Paulista: a história da casa e dos Rocha Azevedo – Parte 2

Série Avenida Paulista: a história da casa e dos Rocha Azevedo – Parte 2

Esta semana, na Série Avenida Paulista, continuamos a série da família Rocha Azevedo, com histórias da vida na casa 58 da  nossa avenida.

O texto de Maria Eugenia, descendente da família, publicado na semana passada que descreve a primeira casa levantada na avenida e a constituição da família pode ser lido neste link.

Novamente agradecemos à Maria Eugenia, que nos brinda com o novo capítulo da série,  que é intitulado:

A Casa Reformada.

Como nós encerramos o texto anterior, em 3 de janeiro de 1923, Nair, minha avó, filha de Álvaro Rocha Azevedo e Maria Eugenia, casou-se com Renato Alves de Lima, meu avô. Como parte dos preparativos para o casamento a casa havia sido ampliada e reformada.

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A primeira casa levantada na Avenida Paulista, de propriedade da família Rocha Azevedo. Nas fotos acima e abaixo podemos ver como foi ampliada a casa, ganhando uma extensão do andar superior no lado esquerdo.

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Toda estrutura antiga de madeira foi recoberta por tijolos e cimento. Foi feita uma ampliação na parte superior e o estilo da casa ficou refinado, com enfeites em relevo na fachada e na entrada da casa.

Depois do casamento, os recém-casados embarcaram para Buenos Aires em Lua de Mel, saindo de navio do porto de Santos.

Renato tinha forte ligação com a Argentina; quando rapaz, após a morte de seu pai, havia ido trabalhar com um tio em Buenos Aires. Embarcou sozinho, aos 15 anos para outro país. Esse período lhe abriu os caminhos para o comércio de café e também fez com que virasse um exímio dançarino de tango! Ensinou os passos à Nair e dançaram tango elegantemente durante toda vida.

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O casal a bordo do navio que os levou a Buenos Aires. Na viagem encontraram um amigo de Renato, o Sr Zarvos que também viajava.

Os primeiros tempos de casamento foram de aventura e companheirismo. Renato adorava carros, dirigia bem e era aventureiro. Pesquisando uma maneira mais barata de escoar a produção de café, querendo fugir das altas taxas cobradas pelo Porto de Santos, resolveu ir de carro, levando a esposa e um dos seus irmãos, Aguinaldo, para explorar uma nova rota de transporte de café pelo Rio Uruguai.

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Renato posando com seu carro. Dentro estão sua irmã Lilota e Nair. Na frente o motorista japonês.

Essa viagem pelo interior do Brasil, de carro, trem e navio no início de1924 foi uma aventura emocionante. As paisagens, os perigos, os animais foram contados e recontados às gerações seguintes.

E o ano de 1924 ainda se mostraria mais movimentado. Um período de turbulência política vinha se instalando na cidade de São Paulo culminando com a explosão da Revolta Paulista nos meados do ano. Nair encontrava-se grávida de sua primeira filha e a família resolveu se retirar para a Fazenda Niagara em Jardinópolis, perto de Ribeirão Preto.

O presidente do estado, Carlos de Campos, que estava foragido, era pai de uma das cunhadas de Renato. Como havia uma certa semelhança entre ele e o Ministro Rocha Azevedo (baixinhos e gordinhos) espalhou-se que o presidente estaria refugiado na Niagara e as tropas cercaram a fazenda. Felizmente o engano foi desfeito a tempo e a família continuou segura.

As semanas na Fazenda Niagara ficaram na família como um período de confraternização entre as duas famílias, Rocha Azevedo e Alves de Lima, aproveitando as belezas e o conforto da fazenda.

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Ao retornarem para São Paulo viram que a cidade havia sido duramente atacada pelas tropas federais. A casa da Avenida Paulista nada sofreu, mas Jacyra descobriu que sua casa havia sido bombardeada!.

A revolução acabou e a família retornou aos preparativos para o nascimento da primeira herdeira. Em 7 de setembro de 1924 nasceu a primeira filha do casal, Renata Eugenia, minha tia. Era a primeira neta do Ministro Rocha Azevedo!

Um ano e dez dias depois, em 17 de setembro de 1925 nasceria minha mãe Yolanda Maria. A família estava completa!

As meninas eram a 2ª geração a nascer na casa da Avenida Paulista.

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Nair com a filha Renata Eugenia ao colo e Yolanda Maria, à direita.

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Nair com Renata e, na foto à direita, um momento descontraído do avô Rocha Azevedo brincando com a neta Yolanda ao colo. As fotos são de Maria Eugenia Rocha Azevedo, avó das duas.

A infância e a juventude passadas na casa deixaram lembranças marcantes que Yolanda e Renata fizeram e fazem questão de compartilhar com as gerações que vieram depois, sempre contando as “Histórias da Casa da Avenida Paulista”.

Renata e Yolanda são conhecidas na família como “As Damas”, apelido dado carinhosamente por um dos meus filhos, João Luiz. Pela história que têm a contar o apelido faz todo sentido.

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As Meninas 1928: Renata Eugenia, 4 anos, e Yolanda Maria, 3 anos.

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As Damas 2017: Renata Eugenia, 92 anos, à esquerda, Yolanda Maria, 91 anos, à direita.

É com as lembranças delas, hoje com 92 e 91 anos de idade, morando no Rio de Janeiro, que conseguimos reconstituir os detalhes do interior da casa e seu estilo de decoração na segunda metade da década de 20 na cidade de São Paulo.

Contam “As Damas”:

A casa em que nascemos.

A casa era cercada por um enorme jardim muito bem cuidado que depois da reforma foi todo calçado. Na lateral do terreno, lado da Alameda Ministro Rocha Azevedo, existia um largo portão, para a entrada dos carros da família. Desse lado do jardim havia também um telheiro com um portãozinho para a rua, para que, em dias de chuva, o carro pudesse parar permitindo que as pessoas entrassem em casa sem se molhar.

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Vista lateral da casa depois da reforma (Alameda Ministro Rocha Azevedo)

A casa tinha porão habitável no nível do terreno, que após a reforma ganhou mais cômodos. O próprio escritório de Álvaro Filho e o quarto do casal Alves de Lima ficavam aí assim como a adega e também o laboratório de fotografia de Maria Eugenia.

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As meninas posando no Jardim da casa, no ao lado de uma das janelas do porão. Ano de 1932.

Na frente da casa havia a escada de mármore ladeada por um gradil de ferro todo trabalhado. Muitas flores enfeitavam o jardim da frente além de duas palmeiras que aumentavam a imponência da entrada. Quem subia a escada encontrava um painel em relevo sobre a imponente porta principal.

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A família tomando sol no portal de entrada da casa.
Detalhe do relevo acima da porta e enfeites nas colunas.

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Renata e Yolanda posando de uniforme ao lado do belo gradil da entrada. Ano 1932.

As Damas descrevem como era a casa por dentro

Entrando na casa, à direita ficava a salinha do piano com janelas dando frente para a Alameda Ministro Rocha Azevedo; uma sala de entrada onde eram ministradas aulas para as crianças da família e uma sala para serem recebidas as pessoas que vinham para uma visita rápida ou para entregarem uma encomenda, dar uma recado. Elas mesmas tiveram aulas de piano e violino nessa sala como sua própria mãe havia tido no passado.

A sala de visitas, cômodo mais refinado da casa, tinha 3 janelas que davam para a frente da casa. Era forrada de papel de parede e ficava sempre fechada só sendo usada em ocasiões muito especiais e formais como o próprio velório de Rocha Azevedo. A mobília tipo Luiz XV com sofazinhos e poltronas, ainda existe na família.

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Nas fotos acima vemos alguns ângulos da sala de visitas com seu papel de paredes e a mobília forrada de veludo. Inúmeros objetos enfeitam a sala, muitos no estilo art nouveaux, tão em moda na época.

O mobiliário era em sua maioria de estilo francês e algumas peças feitas a mão que haviam vindo de Minas “em lombo de burro”. A decoração seguia a moda da época com vários conjuntos de sofás e poltronas, aparadores, tapetes e objetos decorativos como vasos e caixas de Limoges e Sévres, (louças francesas fabricadas nas cidades de mesmo nome), muitas peças de prata, estatuetas de bronze e quadros.

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Móveis e objetos vindos da casa da Avenida Paulista. A mesa à esquerda foi feita a mão e o dunquerque tem um lindo trabalho de entalhe na porta. Na parede um quadro pintado por Cotinha ainda nos tempos de escola (1887).

O grande hall onde a família convivia diariamente era uma sucessão de três grandes salas unidas e de onde saía a escada para o segundo pavimento. Neste local ficava o único aquecedor de ambiente da casa e também o telefone linha nº 71639 que foi instalado assim que o serviço chegou à cidade de São Paulo. Em 1917 esse número já constava em nome de Álvaro Gomes da Rocha Azevedo.

A sala de jantar estava situada na lateral do grande hall e ficava sempre fechada tendo suas portas de caixilhos de vidro abertas solenemente no horário das refeições. Havia um gongo que era tocado para anunciar que a refeição iria ser servida.

As refeições, como era costume na aristocracia paulistana, eram servidas à francesa, por garçons, mas as crianças comiam descontraidamente na salinha de almoço, perto da copa e da despensa.

Yolanda e Renata contam que adoravam se esconder sob a mesa da sala de jantar, junto com a prima Cecília Lourdes, filha de Jacyra. A avó Maria Eugenia, que conhecia bem as traquinagens das meninas já entrava na sala de jantar avisando:- “Renata Eugenia, Yolanda Maria e Cecília Lourdes, saiam já de baixo da mesa!” Toda criança sabe que quando se fala o nome inteiro…

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Louças usadas na casa da Avenida Paulista. As xícaras ganhei de minha avó Nair, quando me casei em 1980.

Na sala de jantar havia uma grande Bow Window (janelas com várias lâminas de vidro, formando uma curvatura) que dava para o jardim lateral do lado esquerdo da casa e era ladeada internamente por dois bancos de madeira. Era aí no Natal que se montava a grande árvore.

Ás quintas-feiras de tarde D Cotinha ajudada por sua filha Nair, recebia visitas para um chá formal. Eram amigos e senhoras dos diversos grupos beneficentes dos quais ela fazia parte. Sempre faziam muitos doces, bolos e biscoitos, servindo com a louça mais refinada.

No térreo ficava também o escritório do Ministro Álvaro, ou vovô como as netas até hoje se referem carinhosamente. Era todo ladeado por estantes escuras com portas de vidro recheadas de livros. Uma grande escrivaninha, poltronas de couro e lustre de cristal, completavam o ambiente. O avô estava sempre ali, cercado por seus livros, lendo ou fazendo a contabilidade da casa.

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À esquerda, relógio do escritório de Álvaro. Sempre foi a peça favorita das crianças da família. À direita, estante do escritório de Álvaro. Os módulos que cobriam toda a parede, foram distribuídos pela família e hoje, na minha casa é usado como cristaleira.

Quando Renata começou a aprender latim na escola ele ficou muito feliz pois era um latinista exímio, mas… ela só sabia as declinações escolares decoradas por obrigação. Com o filho Alvrinho, ele sempre falava latim. Numa época em que o rádio era uma grande atração, foi o avô que incentivou a neta mais velha a ler livros. Após ler os primeiros livros clássicos ela se tornou uma leitora ávida de romances policiais e de aventura, bem diferente da leitura recomendada para as mocinhas da época.

A escada que saía do hall levava ao andar superior e no meio da escada havia um lindo vitral.

O quarto principal da casa, do casal Rocha Azevedo dava frente para a Avenida Paulista. Na varanda, Cotinha gostava de colocar os doces que fazia, para secarem ao sol. O quarto de vestir anexo, com outra varanda, ficava na lateral da casa. O mobiliário era em estilo inglês com cômoda, lavatório e a grande cama de casal em mogno.

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Lavatório e cômoda do quarto da minha bisavó, hoje usados como decoração da sala.

No andar de cima havia o quarto de costura e de passar roupa com uma sala de banho. As Damas contam que nesse quarto havia um armário tão grande que em determinada época guardou-se nele uma mobília inteira com várias cadeiras, sofá e mesas! Aí também ficavam os aviamentos e tudo mais que se necessitasse para o reparo e feitio de roupas.

O quarto de Álvaro Filho ou Alvrinho, era mantido na mais perfeita ordem. Os ternos eram escovados todos os dias, cada roupa tinha seu cabide certo e os sapatos tinham as solas lavadas assim que ele chegava em casa. Para manter toda essa ordem ele tinha uma empregada que o adorava e tinha uma paciência invejável. Ele era um homem bonito, refinado e tinha um xodó especial por minha mãe Yolanda que era sua afilhada.

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Álvaro Gomes da Rocha Azevedo Filho. O Alvrinho.

O quarto das meninas também dava para a lateral da casa com suas camas, armários e mesinhas. De noite, quando apagavam as luzes Yolanda ficava com medo dos enormes armários e Renata burlava a ordem de dormir, lendo com lanterna embaixo das cobertas.

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Armário do quarto de Nair e Renato que os acompanhou a vida toda. Hoje em dia ele passa sua “velhice” de quase 100 anos, num aconchegante chalé, da minha irmã Beatriz, na Serra do Rio de Janeiro. Será sempre o Armário da Vovó!

Do segundo andar saía o acesso ao sótão através de uma escada íngreme com degraus muito estreitos. As netas subiam e lá exploravam as inúmeras malas e baús que guardavam roupas antigas, objetos e livros não mais usados. Também havia mobílias antigas e pilhas de revistas Fon fon e O Malho. Em determinada época esse acúmulo de revistas chegou a abalar o piso do sótão e teve que ser retirado. Morcegos e aranhas povoavam esse espaço de mistério e onde as meninas encenavam peças musicais, brincavam de esconder e de fantasma. Durante as noites de blackout da 2ª guerra, elas iam ao sótão para abanarem panos pela janela, dando gritos horripilantes.

Na parte posterior da casa, no térreo, atrás da sala de jantar saía um corredor que chegava à cozinha. Nesse corredor ficavam a despensa, a sala de café da manhã e a copa. Os alimentos eram estocados no porão e subiam conforme a necessidade da família, sendo controlados rigidamente pela dona da casa. Até o presunto era feito em casa em enormes latões. O molho de chaves ainda existe na família.

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Chaves do porão.

Na saída para o quintal dos fundos existia uma escada em baixo da qual ficava o quarto da lenha assim como o quarto dos garçons. Eram na maioria imigrantes japoneses que ocupavam seu tempo livre estudando e rapidamente aprendiam a língua portuguesa. Assim que eram contratados eram rebatizados pela dona da casa, com nomes cristãos. Exemplo: Nino Mia = Nascimento. A nós, hoje em dia, parece um imenso desrespeito, mas era um hábito da época e a maioria criou laços de amizade com a família.

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Renato e o primo de Nair, Plínio, fazendo pose na frente da garagem e da parreira, enquanto Renata brinca no pátio.

No quintal da casa havia duas garagens para o carro de Renato e de Alvrinho sendo que em uma delas tinha um fosso para que o chauffeur pudesse lavar o carro por baixo. Yolanda, sempre de patins, se equilibrava nessas tábuas. Graças à sua enorme habilidade, nunca caiu!

Renato, meu avô, gostava de cuidar da terra e aproveitou o fundo do quintal para fazer uma área de plantio com horta, pomar e galinheiro que abasteciam a casa.

Ali se criavam coelhos, perus, patos e galinhas. Havia pés de uvaia, caquis e muitas jabuticabeiras que eram espalhadas pelo quintal. Ainda hoje existem uns pés no estacionamento atrás da casa onde era o Itaú Personnalité.

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Nair, Jacyra com as mãos nos ombros de seu marido Raul e Alvrinho na cerca que dividia o jardim. Além dessa divisão era o chamado “fundo do quintal” com suas criações, horta e pomar.

Ao longo dos anos, Álvaro foi construindo casas no fundo e na lateral do terreno, contratando o engenheiro Carlos Ekman para fazer esses projetos. Ele já havia sido responsável pela reforma da casa principal e liderou as demais obras.

Além de alugá-las para aumentar a renda da família, em vários períodos, membros da própria família ocuparam essas residências.

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A primeira a ser construída foi a casa nº1 ou 3, da Alameda Ministro Rocha Azevedo (foto acima). Depois, nos anos 30, outras casas foram sendo construídas no “fundo do quintal” dando frente para a Ministro Rocha Azevedo e para a Alameda Santos.

A casa da esquina da Alameda Santos e Alameda Ministro Rocha Azevedo nº 91, aparece num anúncio de jornal da época, para ser alugada. Essa casa existe até hoje, ocupada por uma copiadora, e ainda pertence à família.

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Uma das casas construídas na Alameda Santos e o anúncio de jornal.

Em uma viagem ao Rio de Janeiro para visitar suas irmãs, Álvaro caiu e fraturou o fêmur. A família se mobilizou e Nair foi para o Rio fazer companhia para a mãe enquanto o pai era operado. Um vagão de trem foi especialmente equipado para que ele pudesse ser trazido de volta à São Paulo.

Apesar de todo cuidado da família e do acompanhamento dos melhores médicos da época, ele nunca se recuperou desse acidente já que sua saúde era prejudicada pela diabetes.

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Álvaro e Maria Eugenia no final da década de 30.

Depois de anos acamado, Álvaro Gomes da Rocha Azevedo, meu bisavô, faleceu em 30 de outubro de 1942. Seu corpo foi velado na sala de visitas da casa que ele tanto amou, cercado da família, amigos e admiradores.

Passados uns anos Renato e Nair se mudaram com as filhas para um apartamento e posteriormente vieram para o Rio de Janeiro. Todos os anos, a família vinha passar férias em Copacabana e acabaram optando por morar no lugar onde se divertiam. Foram morar num apartamento na praia do Leblon.

A família resolveu vender a casa da Avenida, já que não havia razão para manter uma casa tão grande e tão dispendiosa. Duas das casas que haviam sido construídas na Alameda Ministro Rocha Azevedo foram unidas, formando uma casa bastante confortável e a viúva Cotinha mudou-se para lá com a filha Jacyra e sua filha Cecília Lourdes.

Com a mudança, os móveis, objetos e louças mais finos e de maior valor foram partilhados entre a família.

E assim a casa ficou vazia, foi demolida e o terreno que dava frente para a Avenida foi vendido. As demais casas continuaram a ser da família, virando pontos comerciais com o passar das décadas.

Aquela Avenida Paulista, que meu tataravô Joaquim Eugenio de Lima idealizou e construiu, romântica, com casarões e ladeada por árvores floridas foi aos poucos desaparecendo, mas continua sempre viva nas memórias de quem lá viveu…,

Muitas histórias aconteceram nessa casa. Renata e Yolanda vão contar no próximo artigo, as aventuras e como a vida seguiu depois que deixaram o amado “fundo do quintal”. Aguardem!

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Paulistana até a alma, nasceu no Hospital Matarazzo, no coração de São Paulo. Passou parte da vida entre as festas da igreja Nossa Senhora Achiropita, os desfiles da Escola de Samba Vai-Vai e as baladas da 13 de maio no bairro da Bela Vista, para os mais íntimos, o Bixiga. Estudou no Sumaré, trabalhou na Berrini e hoje mora em Moema. Gosta de explorar a história e atualidades de São Paulo e escreveu um livro chamado “Ponte Estaiada – construção de sentidos para São Paulo” resultado de seu mestrado em Comunicação e Semiótica na PUC. É consultora em planejamento de comunicação e professora de pós-graduação no Senac.

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