CULTURADICAS

Transformação e cidade habitada

Bowl de skate no Parque Chácara do Jockey ©Daniel Foggiato

Uma metrópole é marcada pela sua mutação constante. Lugares se vão, outros novos surgem, muitas vezes de maneira desordenada. Nós aqui do São Paulo City, que adoramos nossa cidade, sabemos que aqui é assim. O ritmo alucinante e a frenética transformação de São Paulo às vezes nos impedem de criar vínculos mais fortes com os espaços. Além disso, a transformação que visa somente a especulação imobiliária não propicia locais de encontros e convivência para os habitantes da cidade.

Quem vive do lado de cá da ponte sabe exatamente da ausência desses locais.  Nos bairros mais afastados, é mais difícil encontrar lugares bacanas para lazer, cultura e convivência. Os paulistanos periféricos penam para achar uma praça ou um parque legal, em que eles possam andar de bike, skate, estender uma canga para curtir o sol e estar com os amigos. Na região oeste, por exemplo, nos bairros do Butantã, Vila Sônia, Ferreira, Monte Kemel, a falta de estrutura e equipamentos sempre foi sentida pelos moradores.

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Parque Luis Carlos Prestes, um dos poucos da região oeste de SP. Google

Felizmente, de uns tempos pra cá, o constante debate para soluções mais sustentáveis tem pressionado, tanto o poder público quanto a iniciativa privada, a pensar melhores alternativas para o crescimento da cidade, com iniciativas que proporcionem o bem-estar dos cidadãos e um desenvolvimento e uma expansão mais  inclusiva.

Um exemplo muito bem sucedido de transformação positiva é a da Avenida Eliseu de Almeida, que começa ali pertinho da USP e da rodovia Raposo Tavares, passa pelos bairros que eu escrevi acima e vai até a divisa de São Paulo com o município de Taboão da Serra, na região metropolitana, mudando o nome para Avenida Pirajussara. Essa avenida era uma das mais feias da cidade, inabitada, tomada apenas por lojas e mais lojas de revenda de carros, casas precárias e muitos terrenos abandonados. Dá pra imaginar que era uma via sem vida; muito erma e perigosa.

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Loja de carros na Avenida Eliseu de Almeida. Google

Se você passar lá hoje, vai ver um cenário completamente diferente: pessoas caminhando sozinhas ou em grupo, andando com o cachorro, pedalando, conversando, enfim, ocupando a avenida!

Tudo começou com a implantação da ciclovia no local. É possível pedalar agora por toda a extensão da Eliseu, cuja ciclovia se liga à da Avenida Jorge João Saad – sendo possível ir até o Estádio do Morumbi – e à da rua Camargo, o que te possibilita ir até o metrô Butantã. Essa ciclovia, que é de canteiro central, bem larga e segura encheu a avenida de vida e, logo, outras boas ideias vieram para complementar, como o mutirão de plantação de árvores.

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Mutirão de plantação de árvores na ciclovia da Av. Eliseu de Almeida. Google

Para coroar a revitalização total da região, em abril passado foi inaugurado o Parque Chácara do Jockey, ocupando o terreno imenso que antes funcionava como um espaço adjacente do Jockey Club de São Paulo. O parque tem espaço para caminhada, quadras, campos de futebol, fab lab e uma super pista de skate – bowl e street – que já conquistou os skatistas. A imagem de destaque desse artigo dá uma dimensão de como os moradores do entorno realmente abraçaram o parque, que é uma ótima opção para as famílias e principalmente para os adolescentes e jovens.

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Bowl de skate no Parque Chácara do Jockey. ©Daniel Foggiato
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Daniel Foggiato
the authorDaniel Foggiato
Nascido em São Paulo. Graduado em Letras pela PUC-SP e em Educação Artística pelo Instituto de Artes da UNESP. Atuou bastante tempo na área da arte-educação, até começar a trabalhar exclusivamente com a fotografia, a partir de 2012.Atua profissionalmente nos seguintes segmentos de fotografia: still de produto, espetáculos, arquitetura, bebês e social-corporativo. Atende clientes como Walmart, Bourbon Street Music Club, além de agências de publicidade e outros.Cursa atualmente pós-graduação em Fotografia na FAAP, em São Paulo.

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