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Quem nunca comeu pastel em feira livre de SP? Então, coma!

Se você nunca comeu pastel em uma feira livre da  cidade não pode ser considerado um paulistano – nato ou por escolha! Ir a uma feira livre em São Paulo é um típico passeio para colocar todos os sentidos à flor da pele! Comer pastel e tomar garapa é obrigatório – pelo menos uma vez na vida.

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E as feiras livres são muito mais que isso. Os aromas das verduras, dos temperos e do peixe são peculiares. Os sabores da fruta roubada, do pedacinho dado pelo feirante, ou da folhinha que se experimenta aguça nosso paladar e chama para o almoço. E as cores? Os vários tons de verde das folhas, o amarelo, vermelho e roxo vivo das frutas, o marrom das raízes e nozes, o prateado iluminado da barraca de peixe.  Os cheiros, cores e sabores são indescritíveis!

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Feira livre. Foto: paneleiros

Mas nada é igual ao som de uma feira livre: o feirante chamando a freguesa, o menino oferecendo para carregar, o andar rápido das pessoas. Tudo é uma alegria que contamina. E, no fim da rua: a barraca do pastel. É uma delícia!

Para registrar a importância das feiras livres em São Paulo, dia 23 de janeiro, homenageando o seu aniversário, foi lançado o livro “100 anos de feiras livres na cidade de São Paulo”, de autoria do agrônomo Hélio Junqueira e da economista Marcia Peetz , projeto e produção editorial da Via Impressa Edições de Arte.

Capa Livro 100 anos de feiras livres na cidade de São Paulo 500x499 - Quem nunca comeu pastel em feira livre de SP? Então, coma!

O livro é uma bela homenagem e um fundamental resgate histórico desta prática social tão típica do paulistano e da cidade de São Paulo. O primeiro registro documentado sobre a atividade é de 1687, que mencionava a venda de “gêneros de terra, hortaliça e peixe, no Terreiro da Misericórdia“.

Em 1914, foi criada a Feira Livre por meio do ato do Prefeito Washington Luiz P. de Souza, não como projeto novo, mas sim como o reconhecimento oficial de algo que já existia, tradicionalmente, na cidade de São Paulo. E vejam só, atualmente, ainda acontecem na cidade 871 feiras semanais, que agregam perto de 13 mil feirantes, ainda que com pequena variação numérica ao longo de muitas décadas.

Feira livre na antiga Praça Roosevelt - Quem nunca comeu pastel em feira livre de SP? Então, coma!
Feira livre na antiga Praça Roosevelt. Foto:folhapress

Essa atividade ganhou o que merecia: ter sua história documentada. O livro em edição caprichada, é bilíngue (português e inglês) e tem farta ilustração com pinturas histórias e fotos de época e atuais. Em suas mais de 300 páginas, representa uma justa, sensível e honrosa homenagem às feiras livres e aos feirantes paulistanos, que constituem nossa memória coletiva e fazem parte das lembranças afetivas de todos que por elas inescapavelmente passaram em algum momento de suas vidas.

No livro são rememoradas passagens históricas relevantes sobre os principais mercados de abastecimento alimentar da cidade, sobre as contribuições étnicas de diferentes grupos de imigrantes, bem como sobre os fazeres do modo de ser e existir dos feirantes em São Paulo. 

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 Capítulo especial é dedicado à cultura material e simbólica associada às feiras livres, ressaltando as formas e as principais obras da literatura, da pintura, da música, da telenovela e das expressões populares – como o Carnaval – nas quais esses agentes comerciantes varejistas foram retratados.

Tarsila do Amaral A Feira I 1924. - Quem nunca comeu pastel em feira livre de SP? Então, coma!
A Feira I, Pintura de Tarsila do Amaral, 1924.

E se depois de ler o livro, você quiser conhecer todas as feiras de São Paulo (o que provavelmente acontecerá), a Prefeitura tem um site com todas elas mapeadas. Para te ajudar a montar um roteiro, algumas dicas publicadas no Guia da Folha:

Feira Angélica

Apesar de ser uma das maiores feiras do centro, a que fica na rua Mato Grosso tem clima bairrista. Bem organizada, com espaço entre as bancas, tem como ponto forte os frutos do mar. Além de opções triviais, há tipos mais raros como polvo e lagostins. As barracas de peixe aceitam cartões de débito e de crédito.

Dia da semana: Sexta-feira/ Número de bancas: 139/ Rua Mato Grosso, Higienópolis.

Yuri Vasquez Folhapress - Quem nunca comeu pastel em feira livre de SP? Então, coma!
Foto Yuri Vasquez – Folhapress

Feira Vila Madalena

A feira pega dois quarteirões da rua Mourato Coelho e mais um pedacinho da rua Aspicuelta. Tem boa variedade de frutas, legumes e verduras (vendidas higienizadas em algumas bancas), mas o destaque é a barraca de temperos (quase na esquina da rua Inácio Pereira da Rocha). Além das pimentas (in natura e em conservas), oferece condimentos secos, em pó, como cebola, alho e colorau.

Dia da semana: Sábado/ Número de bancas: 136/ Rua Morato Coelho,  Vila Madalena.

Feira Bosque

No corredor entre as barracas, só dá fregueses japoneses. Com boa oferta de verduras, legumes e frutas, bem fresquinhos e tenros, além de peixes (bons até para fazer sashimi), a feira atrai a comunidade oriental que mora no bairro. Destaque à barraca de yakisoba e ao senhor (japonês) que vende “imagawayaki“, um bolinho oriental recheado com creme de baunilha ou chocolate.

Dia da semana: Domingo/ Número de bancas: 188/ Rua Carneiro da Cunha, Vila da Saúde.

Feira Sumaré Moderna

O Pastel da Maria foi eleito o melhor da cidade duas vezes. Às terças e às quintas, recebe a clientela do Pacaembu com boa variedade de sabores (tem até de estrogonofe).

Dias da semana: terças e quintas/ Número de bancas: 70/ pça. Charles Miller, Pacaembu.

Feira Santa Cecília

Famosas no bairro, as barracas de garapa atraem o público aos domingos. Por lá, o caldo pode ser combinado com frutas como abacaxi, maracujá e limão, além de gengibre.

Dia da semana: Domingo/ Número de bancas: 160/ Rua Sebastião Pereira, alt. do nº 553, Santa Cecília.

Feira Haddock Lobo

Aos domingos, a barraca que vende tapiocas, na esquina com a rua Augusta, faz sucesso. Além de preparar a iguaria, a banca vende a massa para ser feita em casa.

Dia da semana: domingo/ Número de bancas: 35/ Al. Lorena, Jd. América, zona oeste.

Inauguração Feira Noturna de Osasco 08abr2015 Foto Gilson Nascimento SECOM PMO Cultura Osasco 5 - Quem nunca comeu pastel em feira livre de SP? Então, coma!

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Luciana Cotrim
the authorLuciana Cotrim
Paulistana até a alma, nasceu no Hospital Matarazzo, no coração de São Paulo. Passou parte da vida entre as festas da igreja Nossa Senhora Achiropita, os desfiles da Escola de Samba Vai-Vai e as baladas da 13 de maio no bairro da Bela Vista, para os mais íntimos, o Bixiga. Estudou no Sumaré, trabalhou na Berrini e hoje mora em Moema. Gosta de explorar a história e atualidades de São Paulo e escreveu um livro chamado “Ponte Estaiada – construção de sentidos para São Paulo” resultado de seu mestrado em Comunicação e Semiótica na PUC. É consultora em planejamento de comunicação e professora de pós-graduação no Senac.

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