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Série Avenida Paulista: Retrospectiva – o futuro construindo o passado

Estamos de volta com nossa Série Avenida Paulista. Nesta semana entre Natal e Ano Novo nada é mais propício do que fazer uma retrospectiva. Para aqueles que acompanharam a série vale para relembrar, para os que não viram, podem conhecer tudo o que já foi publicado.

Aproveitarei para celebrar um trabalho maravilhoso de reconstrução em computação gráfica (3D) da Avenida Paulista do início do século XX (que já comentei aqui), chamado Janela da História, que está sendo desenvolvido desde 2011 por Marcus Vinicius Uchoa. Em cada palacete que apresentamos será mostrado a casa construída em computação gráfica (daqueles que já foram desenvolvidos em 3D).

Durante este período de agosto até hoje publicamos textos sobre 17 mansões construídas no início do século passado!  Vamos a elas:

Adam Ditrik von Bülow

Em agosto iniciamos com o primeiro casarão da Avenida Paulista construído próximo à Alameda Campinas, que era propriedade do dinamarquês Adam Ditrik von Bülow. Hoje o local é ocupado pelo Edifício Pauliceia, um ícone da arquitetura moderna paulista.

O casarão foi projetado pelo arquiteto Augusto Fried, que concebeu um amplo belvedere e uma torre bastante alta e imponente. O palacete foi, por muito tempo, o local mais elevado da avenida e, por isso, era utilizado como local para fotografar à distância os dois sentidos da Avenida Paulista. O texto completo encontra-se aqui.

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Gabriela Dumont Villares

Com projeto do escritório de Ramos de Azevedo, em 1921, foi erguido na Avenida Paulista o imponente casarão que seria a residência de Gabriela Dumont Villares, irmã do aviador e inventor Alberto Santos Dumont.

Segundo registros históricos, nos anos 1920, o aviador costumava se hospedar na casa de Gabriela Dumont Villares, em suas vindas a São Paulo. Naquela época, ele dividia-se entre a capital paulista, Rio, Petrópolis e Paris.

Na foto de 1921, a casa de Gabriela Dumont Villares, que foi construída com projeto do escritório Ramos de Azevedo, ficava entre a Rua Minas Gerais e a Rua Augusta. O texto completo encontra-se aqui. 

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Moritz Rothschild

Inaugurado em 1910, o casarão do alemão Moritz Rothschild foi construído onde, atualmente, a Avenida Paulista cruza com a Rua da Consolação. A residência da família permaneceu ali por mais de meio século.

Moritz Rothschild chegou no Brasil no fim do século XIX. Era proprietário de uma gráfica que se tornou uma das mais importantes da época. A Typographia Brazil Rothschild & Co. foi fundada por ele e seu compatriota Carlos Gerke.  Na década de 1910 proliferou sua produção de mapas e cartões postais, que foi reconhecida mundialmente.

A série de São Paulo contava com mais de quarenta vistas da cidade e a de Santos mostrava muitos locais e praias, além do centro urbano.  Publicou também postais de plantações de café do interior paulista. O texto completo encontra-se aqui.

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Numa de Oliveira

palacete erguido em 1920 na esquina da Avenida Paulista com a Alameda Campinas era residência do Dr. Numa de Oliveira, que foi projetada em 1916 pelo engenheiro português Ricardo Severo e é considerado um dos primeiros e mais importantes exemplares da arquitetura residencial em estilo neocolonial. O engenheiro era um tradicionalista português que defendia a preservação da arquitetura colonial brasileira.

Ele colocou em prática suas ideias, quando projetou e construiu a mansão do banqueiro Numa de Oliveira. D. Amélia, esposa do banqueiro se interessava pela preservação da arquitetura tradicional paulistana. O palacete era apresentado como o primeiro, mais importante e famoso exemplar do neocolonial na arquitetura de residências. O texto completo encontra-se aqui

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Cardoso de Almeida

A residência da família Cardoso de Almeida foi projetada pelo escritório Ramos de Azevedo e erguida em 1915. A localização da mansão era na atual esquina da Avenida Paulista com a Rua Haddock Lobo.

Cardoso de Almeida, que emprestou seu nome a uma rua conhecida no bairro de Perdizes, foi um expoente político do começo do século passado. Em sua carreira foi deputado estadual e federal, em várias ocasiões, secretário de Estado – da Justiça e do Interior – e chefe da polícia paulista. O texto completo encontra-se aqui

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Baronesa de Arary

Primeiro como casarão de propriedade de uma representante da nobreza imperial. Em 1916 um enorme e belo casarão branco, de três andares, foi finalizado e entregue na Avenida Paulista. Em estilo neocolonial, a mansão foi projetada pelo arquiteto francês Victor Dubugras, um dos precursores da arquitetura moderna na América Latina.

Maria Dalmácia de Lacerda Guimarães, a “Baronesa de Arary” viveu muitos anos em São Paulo, falecendo, aos 101 anos, em 11 de julho de 1952. A família imediatamente vendeu o terreno para uma construtora, que ali ergueu um enorme prédio de apartamentos residenciais que levou o nome do título da baronesa. O texto completo encontra-se aqui

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José Borges de Figueiredo

No número 1.106 da Avenida Paulista encontrava-se a residência de José Borges de Figueiredo, um grande investidor do início do século passado.  Para que a Avenida Paulista pudesse ser construída e inaugurada em 1891, o português Figueiredo auxiliou na aquisição de chácaras e sítios da região. Ele foi um dos sócios do engenheiro Joaquim Eugênio de Lima, que idealizou e realizou a obra da avenida.

Depois da Paulista ser inaugurada, em 1897, ele ergueu em um dos lotes da avenida o casarão que seria sua residência. O projeto era dos arquitetos Augusto Fried e Carlos Ekman, responsáveis por vários edifícios antigos de São Paulo. O texto completo encontra-se aqui

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Egidio Pinotti Gamba

O casarão do industrial italiano Egidio Pinotti Gamba ficava na esquina da Avenida Paulista com o Caminho de Santo Amaro, atual Avenida Brigadeiro Luiz Antônio.

A residência foi erguida em 1905, 14 anos depois da inauguração da Paulista, realizada no dia 8 de dezembro de 1891. O arquiteto e historiador Benedito Lima de Toledo, afirma que “essa residência tirava bom partido de sua posição, com a construção de um torreão arrematado superiormente por um terraço. É desnecessário dizer que esse espaço logo se tornou um belvedere para os fotógrafos, particularmente Guilherme Gaensly“. O texto completo encontra-se aqui

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José Manuel de Azevedo Marques

Erguido em 1911 na Avenida Paulista, perto da Avenida Brigadeiro Luís Antônio, entre as Ruas Padre Manoel da Nóbrega e Maria Figueiredo, o palacete era de propriedade de José Manuel de Azevedo Marques, construído por Ramos de Azevedo, que era proprietário do maior escritório de arquitetura da época.

Como muitos outros empresários da época, a família Azevedo Marques colecionava e era amante das artes na São Paulo efervescente do início do século XX. Em 1949, a família doou130 obras para a Pinacoteca do Estado de São Paulo, muitas delas de artistas plásticos brasileiros, outro tanto de artistas franceses. Todos esses quadros se encontravam em diversos cômodos da residência do casal, na avenida Paulista. O texto completo encontra-se aqui

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Villa Fortunata

Chamava-se Villa Fortunata. O número 1.853 da Avenida Paulista na esquina com a Alameda Ministro Rocha Azevedo foi residência do paulistano René Thiollier entre 1913 e 1968.  Como o nome sugere, a Villa Fortunata era uma das edificações mais imponentes da avenida. Projetada por Augusto Freid, a mansão, como tantas outras, recebeu a influência europeia e foi construída no estilo eclético, muito em voga na época.

A casa, construída em 1903, foi batizada em homenagem à esposa de Alexandre Honoré Marie Thiollier, que se chamava Fortunata de Souza e CastroO texto completo encontra-se aqui

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Abrão Andraus/ Josephina Lotaif

A mansão que ficava localizada na Avenida Paulista, na esquina com a Alameda Joaquim Eugênio de Lima foi planejada originalmente em 1896, poucos anos depois da inauguração da Avenida. Em estilo neoclássico, a residência pertencia ao político e farmacêutico Henrique Schaumann.

O projeto original era sóbrio, mas acabou dando lugar aos traços mouriscos ainda em meados do século 20. A mansão foi comprada por Abrão Andraus que, por coincidência, também tinha o irmão, Amin, morando na própria avenida. Nos anos 1930, a mansão ganhou vitrais coloridos com motivos orientais e outros elementos árabes, que remetiam à origem da família. Depois o palacete foi vendido para a família de Josephina Lotaif, que manteve a construção com o mesmo estilo do proprietário anterior. O texto completo encontra-se aqui

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Amin Andraus

O empresário Amin Andraus, irmão de Abrão Andraus, além de empresário e comerciante, parecia gostar de viagens, festas e comemorações, sendo notícia na alta sociedade carioca e paulista. Várias notinhas sobre suas viagens podem ser encontradas em jornais da época. Deve ter sido um ilustre da alta sociedade, tanto que, um dos únicos registros de sua casa foi publicada na famosa Revista Life, em 1947, fotografada por Dmitri Kessel. O texto completo encontra-se aqui

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Herculano de Almeida Prado Corrêa Galvão

Este é um casarão diferente dos anteriores, com projeto arquitetônico que apresenta linhas mais retas, com formatos retangulares que se multiplicam na espacialidade do terreno. Um estilo sóbrio e muito elegante.

A propriedade pertencia a Herculano de Almeida Prado Corrêa Galvão, que adquiriu uma gleba de 6 mil metros quadrados na Avenida Paulista. A casa que ficava no cruzamento com a Rua Ministro Rocha Azevedo foi a terceira moradia a ser erguida na avenida, com projeto de Carlos Ekman, a construção começou em 1892 e ficou pronta em 1897. O texto completo encontra-se aqui

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Francisco Conde

O Sr. Francisco Conde já morava em São Paulo em meados da década de 1920, sua primeira residência foi na Rua Cincinato Braga, na Bela Vista. Em 1929, ano do estouro da crise financeira mundial, período em que muitas empresas desapareceram, o Sr. Conde empreendeu um novo negócio de alto risco: fundou a Casa Bancária Conde & Cia, com sede na Rua Boa Vista, 58. Neste mesmo ano, a família mudou-se para o casarão da Avenida Paulista. A casa bancária deu origem a um grande empreendimento financeiro brasileiro: o Banco de Crédito Nacional, fundado na capital nos anos 1940. O texto completo encontra-se aqui

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Dina Brandi Bianchi

O último casarão demolido na Avenida Paulista ficou conhecido como sendo de propriedade de Dina Brandi Bianchi. Ele caiu em novembro de 2011, no dia 4 deste mês, o jornal Estadão publicou:

Na virada de segunda para terça-feira, um casarão dos anos 1920, branco e de dois andares no número 91 da Avenida Paulista, foi demolido sem chamar a atenção. A rapidez da demolição foi consequência da pressão de moradores e entidades de preservação do patrimônio, que tentavam evitar a destruição. Não deu tempo. O texto completo encontra-se aqui

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Nagib Salem

Na década de 1920, Nagib Salem comprou a área na Avenida Paulista onde construiria a belíssima casa, quase um palácio. Grandiosa em todos os sentidos: cada detalhe foi cuidado e construído com toda a dedicação com o melhor que havia disponível na época. O que não havia aqui, Salem trazia da Europa.

A área tinha 50 m² de frente na Avenida Paulista. A construção do palacete contou com projeto realizado pela empresa Malta & Guedes, de propriedade dos engenheiros Francisco de Salles Malta Jr e Henrique Jorge Guedes. Com arquitetura marcada pela grandiosidade, o palacete tinha por volta de 20 cômodos e seu terreno chegava até a Alameda Santos. O texto completo encontra-se aqui

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Otto Weiszflog

A residência do Sr. Otto Weiszflog ficava na Alameda Campinas esquina com a Paulista, no atual número 1063/1079. Ele vivia com sua família no belo casarão, a esposa Anna Maria Kuhlmann Weiszflog, e os filhos Jane, Frederico, Hilda, Annemarie e Wolfang.

Não sabemos de quem foi o projeto arquitetônico inicial, mas identificamos que, em outubro de 1916, foi aprovado um aumento e alteração da casa, que foi solicitada por Georg Przirembel à Prefeitura de São Paulo. Conhecido arquiteto especialista no estilo neocolonial, em São Paulo, projetou o dirigiu a construção do novo mosteiro de São Bento, em 1912. O texto completo encontra-se aqui

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Neste ano conhecemos muitos casarões, mas em 2016 teremos alguns dos mais importantes e aqueles que ainda não foram demolidos. Aguardem, pois vem aí os casarões de Horácio Sabino, Alberto de Paula Silva Pereira, Horácio Espíndola, Mário Dias de Castro, Condes Alexandre Siciliano e Francisco Matarazzo e muitos mais.

Feliz 2016 para todos e muito obrigada por acompanharem a Série Avenida Paulista: ela é dedicada a todos vocês.

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Luciana Cotrim
the authorLuciana Cotrim
Paulistana até a alma, nasceu no Hospital Matarazzo, no coração de São Paulo. Passou parte da vida entre as festas da igreja Nossa Senhora Achiropita, os desfiles da Escola de Samba Vai-Vai e as baladas da 13 de maio no bairro da Bela Vista, para os mais íntimos, o Bixiga. Estudou no Sumaré, trabalhou na Berrini e hoje mora em Moema. Gosta de explorar a história e atualidades de São Paulo e escreveu um livro chamado “Ponte Estaiada – construção de sentidos para São Paulo” resultado de seu mestrado em Comunicação e Semiótica na PUC. É consultora em planejamento de comunicação e professora de pós-graduação no Senac.

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