Série Avenida Paulista: os casarões em 1982, 2008 e 2016 por Valter Hernandez

Série Avenida Paulista: os casarões em 1982, 2008 e 2016 por Valter Hernandez

A Série Avenida Paulista apresenta nesta semana um trabalho fotográfico inédito. Tivemos a grande satisfação de receber o contato do Sr. Valter Hernandez que, gentilmente, compartilhou conosco uma série de fotografias realizadas na Avenida Paulista em três períodos diferentes. Agradecemos imensamente ao Sr. Valter por escolher o Projeto São Paulo City para essa inédita publicação.

As fotografias mostram os casarões, as construções e edifícios que ocuparam alguns dos terrenos da avenida. São imagens históricas, que revelam o desenvolvimento urbano ocorrido, até os dias atuais, na principal avenida da cidade. Como são muitas imgens, optamos em apresentá-las em blocos. Hoje mostraremos as fotos de casarões que já foram publicados nesta série.

Mas, antes, O Sr. Valter conta para nós como aconteceu esses registros fotográficos:

Na década de 1980 participava de um grupo de pintores amadores e tínhamos um ateliê numa casa antiga da rua Cincinato Braga, bem atrás do Hospital Santa Catarina. Lá comentávamos muito e com tristeza, as demolições dos casarões da Avenida Paulista. À vista disso, no início de 1982 tive a ideia de percorrer toda a avenida e fotografar todas as casas, ou melhor, tudo que não fosse edifício. Foi muita sorte, pois alguns meses depois várias delas foram demolidas.

Guardei esse conjunto de fotos até que, em 2008, resolvi percorrer de novo todo o trajeto fotografando nos mesmos locais. Algumas das casas tive dificuldade para identificar o local, o que fiz agora em 2016. Assim, os dois conjuntos de fotos, de 1982 e 2008, se mostram como registros pontuais da história da avenida vista em toda a sua extensão.

Sempre desejei divulgar essas fotos e fico muito feliz com a oportunidade que o Projeto São Paulo City me proporciona na pessoa da Luciana Cotrim.

Vamos as fotos que serão apresentadas com a numeração atual da Avenida Paulista:

1) Número 91 – Residência da família de Dina Brandi Bianchi, demolida em 2011. Hoje edifício Paulista Tower. O interessante desta construção é que na Prefeitura de São Paulo, os dados dizem que a obra é de 1994. Mas uma imagem antiga, obtida pela associação Preserva SP, mostra o imóvel em 1952. E a nossa foto mostra o imóvel em 1982. Quer saber mais? Leia a história completa deste palacete clicando aqui.

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2) Número 542 – À esquerda, a antiga casa de Elias Calfat que, originalmente, tinha sido construída em 1904 por Eduardo Loschi. Elias Calfat comprou a casa e a reformou, em 1916, com projeto do arquiteto francês Victor Dubugras. Uma curiosidade é que dos 4 irmãos da família Calfat, três deles residiram na Paulista: Elias, Demétrio e Miguel. A casa foi substituída pelo edifício Luís Simões Lopes do Centro Empresarial da Fundação Getúlio Vargas. Conheça a história completa desta mansão clicando aqui.

3) Número 548 – Na foto, à direita, o palacete da família de José Tomaselli, tem a mesma identidade de sua vizinha: construída em 1904, pelo engenheiro Eduardo Loschi e, em 1916, também passou por uma reforma e ampliação realizada por Victor Dubugras. Em meados da década de 1930, a casa foi adquirida pelo Comendador Pedro Morganti, que a vendeu para a Fundação Getúlio Vargas. Atualmente, é a Torre Jorge Flores da FGV. Mais informações, veja a história completa deste palacete clicando aqui.

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(Fonte: Google Street View)

4) Número 867 – Em estilo neoclássico, a primeira desta versão da casa, pertencente ao político e farmacêutico Henrique Schaumann, foi construída entre 1896 e 1906, com projeto dos engenheiros Augusto Fried e Carlos Ekman.  Schaumann vendeu-a para Abrão Andraus, que a transformou na Casa Mourisca e, anos depois, este revendeu-a para Josephina Lotaif, que a manteve igual até o seu fim. As duas horas da madrugada do dia 20 de junho de 1982 o palacete foi colocado no chão, e se tornou o ícone desta onda demolidora ocorrida naquele ano. A residência virou um estacionamento. Atualmente, no terreno localiza-se o edifício do Grupo NotreDame Intermédica. Veja a história completa, clicando aqui. 

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5) Número 1125 -Residência de Francisco Conde, construída em 1929 e demolida em 1982, por seu filho Armando Conde. Hoje é o Edifício CitiCenter, construído em 1986 pelo Citibank. Leia a história completa deste casarão, clicando aqui.

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5) Número 1636 –  inicialmente, esta residência pertencia ao Sr. Feliciano Lebre, que a vendeu, por volta de 1925, para o Sr. Assad Abdalla, que já a habitava em 1927. Em 1982, com a placa na frente, mostrou-se que a demolição já se configurava. Por muito tempo, funcionou como estacionamento e, hoje no local, está o edifício Paulista Corporate. Conheça a história completa desta mansão, clicando aqui.

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6) Número 1650 – Casa pertencente à Amin Andraus. em situação semelhante à da casa da família Abdalla, com placa de demolição. Nos anos 1950, o endereço foi ocupado por uma empresa de construção civil chamada Hedeager Bosworth do Brasil S.A. Depois da demolição foi construído mais um estacionamento no terreno, que se mantem no local até hoje. Veja a história completa deste palacete, clicando aqui.

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7) Número 2455 – A casa da família de Moritz Rothschild, foi construída, em 1910, como uma residência térrea e, em uma reforma nos anos 1920, ganhou mais um andar, ficando como aparece na foto. Foi demolida para construção da estação Consolação do metrô, inaugurada em 1991.Leia a história completa deste palacete, clicando aqui.

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A partir desta visão temporal, podemos ter noção da transformação por qual passou a Avenida Paulista nos últimos 35 anos. É impressionante a energia e vitalidade para a mudança, seja para o bem ou para o mal. Confesso que gostaria que muitas dessas casas tivessem sido preservadas para garantir o patrimônio, a memória e a história da cidade de São Paulo.

Só nos resta agradecer pessoas, como o Sr. Valter, que, muito generosamente, compartilha conosco o seu belo trabalho fotográfico, que nos permite revisitar esse passado recente.  

Muito obrigada, Sr. Valter. 

Aguardem novas fotos desta coleção, que serão publicadas nos próximos textos da Série Avenida Paulista.

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Paulistana até a alma, nasceu no Hospital Matarazzo, no coração de São Paulo. Passou parte da vida entre as festas da igreja Nossa Senhora Achiropita, os desfiles da Escola de Samba Vai-Vai e as baladas da 13 de maio no bairro da Bela Vista, para os mais íntimos, o Bixiga. Estudou no Sumaré, trabalhou na Berrini e hoje mora em Moema. Gosta de explorar a história e atualidades de São Paulo e escreveu um livro chamado “Ponte Estaiada – construção de sentidos para São Paulo” resultado de seu mestrado em Comunicação e Semiótica na PUC. É consultora em planejamento de comunicação e professora de pós-graduação no Senac.

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